sábado, 29 de junho de 2013

Os castrejos e os lordes ingleses (2ª metade do século XIX)

Castrejas



  • Alfredo Campos, escritor (1847 - 1906), dizia, na segunda metade do século XIX, acerca de Castro Laboreiro e dos castrejos:

  • “Em Castro Laboreiro, todo o proprietário, por muito diminuto que seja o seu património, tem, como qualquer lord inglez, duas habitações – uma de verão e outra de Inverno.
  • A primeira assenta nalgum lugar da região de Castro Laboreiro, e é n’ella que o montanhez e sua família vivem os nove mezes das estações da primavera, verão e outomno; a segunda é situada para o lado dos arcos de Vale de Vez, n’um valle profundo, denominado as hinverneiras, e é ali que elle passa a estação rigorosa. Foge d’este modo à aspereza do Inverno, procurando esse clima mais temperado pela situação, dias mais amenos e temperatura mais regular.
  • D’este systema de vida resulta que, sobretudo, nos mezes de Novembro, Dezembro e janeiro, o forasteiro que percorrer os lugares de Castro laboreiro, encontrará a maior parte das habitações e propriedades fechadas e desertas, parecendo que aquella região foi abandonada por effeito de uma força qualquer superior.”

Extraído de: http://www.castrolaboreiro.com/a-aldeia-de-castro-laboreiro/

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O velho sonho do comboio em Melgaço apeou em 1915 em... Monção

Melgaço (por volta de 1915), na margem do Minho observando o comboio na margem galega


Desde um relatório de 1889 que se aconselhava a construção da linha do Minho até Melgaço. Tal intenção foi reforçada no início do século passado  e até discutida no parlamento nacional como forma de dinamizar o turismo termal que se encontrava em grande crescimento.
Depois de algumas hesitações e de estudos de viabilidade em vários formatos (linha larga, via reduzida, via americana de tração animal sobre estrada) e muita "burocracia à portuguesa", a linha a partir de Valença apenas foi prolongada até à Lapela e finalmente até Monção em 1915.
Contudo, o prolongamento até Melgaço constou no plano ferroviário nacional até à data de 1930, sendo posteriormente abandonada a ideia de forma definitiva.










terça-feira, 25 de junho de 2013

Histórias da Guerra da Restauração IV




Ano de 1641


Morre o sol entre as nuvens pretas, enormes, a encherem o horizonte.
      - ‘’Ai meu senhor, não me lebe! Quem bai colher o binhinho! Ai meu senhor! Sou doente. Pelas ‘aurmas’ deixe-me ficar! Ai meu senhor!...”
      - “E o prebilégio? E o prebilégio? Somos caseiros da Senhora da Oliveira. Ele não bai, boa! Ai meu senhor!...”
      Atiram-se ao chão. Rogam. O lavrador, a mulher, os filhos, mocetões e tremerem como folhas ao vento. Lá vai a leva. Mais uma, os soldados a venderem as toucas e saias das mulheres e depois as armas, a deixarem-se ficar pelos caminhos dizimados pela fome e doença.
“Em 1641, a 1 de Abril, os capitães desta vila requerem que lhes fossem dados os socorros precisos para eles e soldados, porquanto já haviam ido duas companhias para guarda da vila de Melgaço, tendo, para a grande jornada os soldados vendido as toucas das mulheres, não chegando lá muitos, por adoecerem com fome e ficarem pelo caminho”
      Ares pesados, a terra sufocada, assombrada aqui e além por relâmpagos. Escaramuças, sortidas, entradas “a parecerem mais de bandoleiros que de soldados”. Gente sem disciplina, sem comando, a rastejar pelas veredas, a fugir com os despojos. Chicotes a zunirem, a estalarem nas costas dos mais temerosos, a obrigá-los a combater. Do outro lado da raia impiedosas mãos de oficiais, tomadas de fúria, estrangulam soldados apavorados a recusarem o combate. Terras da fronteira, aldeias cobertas de colmo e paz, a saque, a arderem inocentes!
      A Guerra. O horror da Guerra. Pior ainda é ver os castelhanos a entrarem, a Pátria mais uma vez a correr perigo. Vamos! Marchemos com a Companhia de Ordenanças de Frei Pedro Cirne de Sousa. Entre os fidalgos vai também o Capitão Dionísio do Amaral Barbosa, já experimentado em vários rebates, filho mais novo de Gregório do Amaral. Avante! Sempre a direito, rumo ao Castelo de Lindoso. Prestes, a cumprir a ordem: juntar-se aos de Braga, entrar pela Galiza.
      Na iminência daquele monte, o inimigo! Avistam-se 200 homens; tem mosquetes, arcabuzes e outras armas. Pelo vale, junto ao Lima, avançam mais 400. Portugueses são só 70. Não se hesita. Escala-se o monte. Ataca-se como “leões os peitos descobertos”.
      - Atirai inimigos, que lá vos imos buscar! Atirai!
      A primeira carga. Desbarataram-se as trincheiras castelhanas. No encalço, as forças de Guimarães. Mais um reencontro, continuam a fugir. Vamos! Pela Galiza adentro, a marchar saquear seis lugares, a espalhar o medo. Nesta entrada “que se fez por Castro Laboreiro foi Dionísio do Amaral dos primeiros que se empenhou com os inimigos e ajudou a por fogo em vários lugares com tão particular valor que se lhe atribuiu grande parte do bom sucesso desta empreza”.
      Duas léguas acima de Melgaço fica Lamas de Mouro “terra da Galiza” já tomada pelos portugueses. Para reforçar a defesa: a hoste vimaranense, duas companhias pagas, outros soldados. Queimam o reduto, esperam com balas, pólvora e cordas o adversário que não chega. Agora o objectivo é Padrenda, entre Porto de Cavaleiros e Ponte das Várzeas, bem guarnecida pelo exército castelhano. Entram os portugueses pela Portela do Homem, por Lindoso, avançam de Melgaço. Atacam. Há quem fuja, há quem roube, há quem combate com valentia. Vencemos. Fazem-se prisioneiros. Ardem as vilas de Lobios e Compostela. “Tomam-se assim num só dia nove redutos rompendo ao inimigo dentro dos seus mesmos quarteis e fortificações”. Dionísio do Amaral cumpre como devia.

 Maria Adelaide Pereira de Moraes

Casa de Sezim
Boletim de Trabalhos Históricos
Revista de Guimarães

domingo, 23 de junho de 2013

Castro Laboreiro: a Terra e a sua Igreja Paroquial (algumas referências históricas)


No século IX, D. Afonso III, o Magno, doou, a título hereditário, a Hermenegildo Mendo, Conde do Porto e Tui, a maior parte da Limia, a região do Bubal e os Montes de Laboreiro, como recompensa por ter submetido o rebelde Guicia. No final do século X, segundo a lenda, teria sido nesta época que São Rosendo de Celanova terá fundado a vila e a sua igreja. Em 1241, a 28 Fevereiro, foi assinado um acordo entre D. Sancho II e o abade e Convento de Celanova, pelo qual o rei recebeu a igreja e Castelo de Castro Laboreiro, com todos os seus direitos e pertences, ficando o mosteiro com a igreja de Monte de Córdova, no bispado do Porto, também com todos os seus direitos e pertences.
Em 1258, faz-se referência à igreja paroquial de Santa Maria em Castro Laboreiro nas Inquirições de D. Afonso III. Era pároco João Pais, o primeiro de que se tem conhecimento. Deste edifício, deverão provir alguns silhares siglados que integram actualmente construção fronteira à igreja. Em 1271, a 15 Janeiro, na carta de foro de Padrão de Sistelo nos Montes de Laboreiro, o Conde de Bolonha impôs aos seus moradores que pagassem os dízimos à sua Igreja de Santa Maria de Castro Laboreiro. Em 1275, a 29 Agosto, D. Afonso III manda que se cumpra a carta de composição, assinada em Zamora, entre D. Sancho II e o abade e convento de Celanova. Em 1279, a 14 Maio ou em 1280, a 1 Janeiro, (não há certeza) foi feita a apresentação régia de Romano Pedro como pároco, por carta de D. Dinis. Ainda em 1297, a 23 Setembro, D. João Fernandes de Soutomayor, bispo de Tui, recebe de D. Dinis o padroado das Igrejas de Santa Maria de Castro de Laboreiro e de Viana. Em 1319, Castro Castro Laboreiro foi integrada na Comenda da Ordem de Cristo da Casa de Bragança, cujos Reitores eram de apresentação régia aos arcebispos de Braga. Em 1307, a 22 Maio, D. Dinis revogou a doação anteriormente feita, alegando ter sido induzido em erro pelo bispo de Tui. Em 1308, a 1 Janeiro, o bispo D. João devolve ao rei de Portugal o direito de padroado da Igreja de Castro de Laboreiro, juntamente com o de Santa Maria de Monção, mas reservando para o episcopado os direitos de padroado de várias igrejas de entre Lima e Minho. Em 1320 ou 1321, existe referência à Igreja de Santa Maria de Castro Laboreiro no Catálogo de todas as Igrejas integrando as Igrejas da Terra de Valadares sendo neste contexto taxada num valor só superado pelos mosteiros de Fiães e Paderne. Em 1330, a 3 Setembro verifica-se a confirmação do escambo por D. Afonso IV. O monarca queixa-se do não cumprimento pontual do contrato, segundo o qual o bispo se comprometera a restaurar a igreja de Monção em duzentas libras anuais. Em 1359, a 18 Julho, dá-se a apresentação de Vasco Afonso como pároco por D. Pedro I. Em 1379, a 18 Junho, verifica-se a apresentação de Estêvão Pires pelo rei D. Fernando. Em 1481, a 23 Fevereiro, o rei D. Afonso V concedeu o direito de padroado da igreja ao 3º Duque de Bragança, D. Fernando, solicitando ao prelado do arcebispo de Braga que lhe confirmasse o pároco que por ele fosse apresentada na igreja. Em 1483, tendo o Duque de Bragança sido acusado de traição régia e executado, o direito de padroado da igreja passou para a Coroa.
No início do século XVI, apesar de a casa de Bragança ter sido restaurada durante o reinado de D. Manuel, o padroado de Castro Laboreiro não lhe foi restituído, continuando na Coroa. Em 1509, foi elaborado o desenho de Duarte D'Armas do Castelo de Castro Laboreiro figurando a vila na qual se ergue a igreja com nave, capela-mor diferenciada e campanário de dupla sineira disposto lateralmente. No século XVI, a Igreja passou para a comenda da Ordem de Cristo, tendo sido seu primeiro comendador Álvaro Rodrigues Correia, que também foi abade da igreja. D. Manuel recomenda ao então Arcebispo de Braga que não pusesse qualquer entrave à nomeação do Reitor que ele havia apresentado.


Em 1546, na avaliação efectuada no tempo do arcebispo D. Manuel de Sousa, a igreja foi avaliada em 60$000 e figurava na terra da vila de Melgaço. Em Janeiro de 1565, durante o mandato do 2º comendador, Francisco Nobre, elaborou-se o Tombo da comenda de Santa Maria de Castro Laboreiro e seu limite. Em 1612, a 18 Agosto foi lavrada a carta da administração desta comenda a D. Francisco de Lima, visconde de Vila Nova de Cerveira e alcaide-mor de Ponte de Lima. Em 1616, a 26 Março, foi elaborada a carta de nomeação de Rui Barreto, visto D. Francisco ter renunciado ao cargo a favor do rei. Em 1641, a igreja foi incendiada pelos espanhóis, sendo rapidamente reconstruída. Ainda em 1641  ou 1642, durante a Restauração, o comendador da igreja Diogo Soares, tomou partido por Castela, pelo que a comenda ficou vaga. Em 1642, a 20 Março, a comenda é atribuída a D. António da Cunha, sobrinho de D. Rodrigo da Cunha, arcebispo de Lisboa. Em 1644, a igreja e os paços do concelho eram os únicos imóveis na vila com telha. No século XVII,  no decurso da última década, era referida como "formosa igreja que foi vigairaria anexa à Matriz de Ponte de Lima, passou a abadia dos bispos de Tui...e no século XIX era Comenda da Ordem de Cristo e reitoria". Em 1758, a 11 Maio, pertencia à comarca de Valença, arcebispado de Valença, sendo terra do rei. A freguesia tinha 402 vizinhos, 291 fogos inteiros e 201 meios fogos. E era vigararia que apresentava um conde de Espanha. A igreja, com invocação da Visitação de Santa Isabel e festividade a 2 de Julho, tinha três altares: o altar-mor, com a Visitação de Santa Isabel, Santa Maria e o Menino, e dois colaterais, o do lado do Evangelho com a imagem de Nossa Senhora do Rosário, São José e Santa Bárbara, e o do lado da Epístola com as imagens do Mártir São Sebastião e Santo António.  Tinha a Irmandade das Almas e duas Confrarias, a do Santíssimo Sacramento e a de Nossa Senhora do Rosário. Era reitoria com apresentação da Casa de Bragança e a renda dos dízimos era de 655$000, recebendo anualmente de côngrua o reitor 40$000 pagos em dois quartéis, 20$000 pelo Natal e o restante pelo São João e o mais em pé de altar, que rendia cerca de 160$000. Em 1775, é lavada a cabo a reconstrução da capela-mor, com data inscrita em cartela na fachada Sul da mesma. Em 1777, a 18 Junho, mandou-se reformar todo o corpo da Igreja. Em 1779, a 29 Outubro, manda-se coagir todos os moradores para contribuírem para as obras de reforma e acréscimo da igreja. Em 1812, a 3 Setembro, foi emitido o alvará nomeando o último comendador conhecido, Marino Miguel Franzine. Em 1816, o Reitor de Castro Laboreiro, tendo apenas de congrua 10$000 e 20 alqueires de centeio, solicita a D. João VI a concessão de um subsídio de 50$000 reis para o Reitor da freguesia, para poder pagar esta quantia, em dinheiro, ao seu Coadjutor, em virtude de muitos e custosos trabalhos para bem paroquiar a freguesia. Em 1836, em termos administrativos,  pertencia ao concelho de Ponte de Lima enquanto que em 1853, Castro Laboreiro era sede de concelho. Em 1855, a 24 Outubro, é decretada a extinção do concelho de Castro Laboreiro. Em 1878, passou a fazer parte do julgado de Fiães e, posteriormente, do concelho de Melgaço. Em 1910 ou 1911, ocorre um incêndio na sacristia e capela-mor. Em meados do século passado, foi feito o frontão sem retorno na torre sineira para colocar o relógio. 

Informações recolhidas em: www. monumentos.pt

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Lamas de Mouro, 1945 - Com o grande antropólogo Jorge Dias rumando a Castro Laboreiro...

Em Castro Laboreiro, em meados do século XX


Lamas de Mouro, 23 de Agosto de 1945.

« De Melgaço, um automóvel pega-nos ao colo e pousa-nos na serra, onde nos diz adeus, sem mais, das suas rodas que fogem. Palmilhamos por entre as obras de construção da estrada a meia hora que nos separa de Castro Laboreiro, onde há tempo desejava vir. Castro Laboreiro interessou-me desde sempre, nem sei porquê. Pelo castro e as ruínas do arcaico castelo? Pelo sítio perdido nos confins? Pelos seus cães famosos? Nem sei. Imaginei-o centro de lendas e saiu-me ele próprio inacessível, remoto e vetusto, lenda de pedra e alturas. Antigo e perdido na erma paisagem sobre o vale a pique, onde o castelo é proa natural e milenar.
Procuramos o jovem abade amigo do António Jorge. Alto, magro, o rosto de criança onde paira a inocência duma certa tristeza resignada. Meio possesso de entusiasmo, queima nesse ardor mesmo o resto que a ordenação lhe levou. Vem connosco, monte acima, de pistola no bolso, a bengala na mão e o perdigueiro ao lado. Vive daqueles montes, que conhece como a palma das mãos, e da alma dos seus paroquianos, que talvez não conheça com tanto amor. Deve reconhecer melhor o penedo que o pecado, e saber tocar-lhe com mais jeito. Mostra-nos o caminho da aldeia onde vamos pernoitar. Despedimo-nos no alto do vale, entre o ladrar do podengo aos coelhos e as sombras que caem rápidas. Segue, solitário, no seu vulto de vigília que se destaca, triste, no cimo dum rochedo, com aquele cão, único companheiro da eternidade, ao lado. »
O nomeado António Jorge era Jorge Dias, o grande etnólogo continuador de José Leite de Vasconcelos. Os outros companheiros, não nomeados aqui, poderiam bem ser, como em tantas outras saídas por esses povos em fora (que eram outras tantas entradas no nosso mais interior português) a esposa de Jorge, Margot Dias; o minucioso e precioso desenhador e pintor Fernando Galhano; ou o Ernesto Veiga de Oliveira, não menos eminente etnólogo, que trabalhou com Jorge Dias, de quem era amigo de infância. Quanto ao escritor do texto, permanece hoje quase tão anónimo quanto o padre descrito, mas na descrição que faz logo se assina por quem é: um grande poeta da nossa prosa portuguesa do século XX. 

Extraído de: http://toneldiogenes.blogspot.pt/2010/08/eduardo-de-oliveira.html

terça-feira, 18 de junho de 2013

1915 - Hotel Alto Minho no Peso (Melgaço)


Postal enviado de Melgaço em 1915 para Lisboa. Na frente observamos uma fotografia do Hotel Alto Minho no Peso na época.
No texto de mensagem, o remetente refere ao destinatário que o hotel está cheio e que as termas estão muito concorridas.
Tempos de glória...





domingo, 16 de junho de 2013

A introdução do milho grosso em Parada do Monte e Vale do Mouro no séc. XVI


A introdução do milho grosso (mays) no séc. XVI provocou uma alteração estrutural na economia do Vale do Mouro. Isabel Medeiros considera a difusão e generalização da cultura do milho grosso posterior a 1527 ( data de um primeiro ‘Numeramento’ da população do Reino) mas anterior a 1758, ano do ‘Inquérito paroquial’ onde, pela primeira vez, aparece referido (Medeiros, 1984:67). Os monges de Fiães deveriam ter tido alguma influência na introdução da nova cultura nas suas granjas. Os beneditinos eram profundos conhecedores das melhores técnicas agrárias. Sob a administração dos abades trienais, a congregação passou por profunda remodelação de modo a retirá-la da situação de decadência encontrada pelo superior da congregação D. Saulieu que em Janeiro de 1533 a visitou acompanhado do seu secretário Claude Bronseval (Cocheril, 1986: 44). Foi a recuperação pós-tridentina, após o ‘trágico ciclo dos comendatários’ e que foi iniciada com constituição da Congregação autónoma dos mosteiros portugueses, em 1567, passando a Real Abadia de Alcobaça a ser considerada a sua cabeça ou casa mãe (Marques, 1990: 33).
Entre as medidas adoptadas procurou-se obter um melhor aproveitamento dos seus domínios que eram vastos. Para além dos bens de exploração directa situados no interior do seu couto (as hortas, campos de feno, cercas de carvalhos, tapadas de tojo, souto de castanheiros, etc.) e, por aforamento, os localizados numa vasta área que incluía 8 freguesias do concelho de Melgaço, 11 freguesias dos termos de Valadares, Monção e Valença (interior da praça), a freguesia de Gondomil (couto de S. Fins), Castro Laboreiro e terras de Valdevez, Bouro, Lanhoso, Vieira do Minho, Ribeira de Pena, Santa Cruz, Felgueiras, Santa Maria de Revinhade e Santa Eulália de Barrosas. Na Galiza, possuíam prazos nos coutos de Gogilde, Ganceiros e em Padrenda ( Marques, 1990).
Parada do Monte estava entre os domínios que os monges de Fiães exploravam indirectamente por aforamento. No quadro elaborado pelo Prof. José Marques e inserido no seu estudo ‘O Mosteiro de Fiães (Notas para a sua história)’, encontra-se a referência a um pagamento de 2.600 réis pelos foreiros de Parada, termo de Valadares. Quantia relativamente avultada representando 74,3% da média dos pagamentos em numerário- 3.498, 6 réis.
Havia ainda a comenda de Távora que recebia do Casal do Fojo de Travaços, a prestação de ‘$300 réis brancos de moeda corrente e duas boas galinhas’ (Domingues, 1999).
Possivelmente nestas contribuições pecuniárias entraria o rendimento proporcionado pelo milho. A inovação com a introdução do ‘mays’ no agros das terras de Parada do Monte e das outras freguesias vizinhas deve-se, sobretudo, aos lavradores que ordenaram o seu território desafectando áreas incultas e até aí revestidas por florestas, reorientando-as para milheirais.
O processo de apropriação do solo das várzeas e da meia encosta foi lento exigindo um denodado trabalho de despedrega e o alargamento do regadio por uma intrincada rede de regos e levadas partindo de represas (ou presas), algumas delas também servindo os moinhos de rodízio horizontal cujo número aumentou extraordinariamente.

No interior dos agregados houve necessidade de ampliar a capacidade de armazenamento dos grãos e as casas sofreram transformações com a reserva do seu piso térreo para estabulação do gado no Inverno ficando o andar superior dedicado à área de habitação. 

Extraído de:
LEITE, Antero & LEITE, Maria Antónia Cardoso - Parada do Monte, História e Património. ACER.

Outra bibliografia citada:


Carta Geológica de Portugal (Folha 1-B), Ed. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa
1986.
AGCVC- Correspondência com várias entidades (Abril 1846-Nov. 1846). Cota 1.8.3.9:
-Circular de 08.04.1846 do Secretário do Ministério do Reino ao Governador Civil de
Viana do Castelo;
-Circular de 15.04.1846 do Secretário do Ministério do Reino ao Governador Civil de
Viana do Castelo;
-Circular de 30.06.1846 do Administrador do concelho de Monção ao Governador Civil
de Viana do Castelo;
-Circular de 22.09.1846 do Secretário de Estado dos Negócios do Reino ao Governador
Civil de Viana do Castelo.
Um fulão-Desenho de F. Galhano
24
AMM – Livro de registo da correspondência expedida pela Câmara de Valadares, ano
1853, Cota 1.18. 6. 20.
AMM-Tombo do extincto Concelho de Valadares, 1829, s/cota.
IAN/TT–Memórias Paroquiais, vol. 27, memoria 58, pp. 383-388 (publicado em CAPELA,J.
Viriato - As freguesias do concelho de Melgaço nas Memorias Paroquiais de 1758-Alto
Minho: Memória, História e Património, Ed. C. M. de Melgaço, 2005).
IAN/TT – Inventários de 1834, pasta B, Santa Maria de Fiães, n.º 1539, pp.1-11.
IAN/TT–Memórias Paroquiais, vol. 17, memória 69, pp. 361-364 (publicado em CAPELA,J.
Viriato - As freguesias do concelho de Vila Nova de Cerveira nas Memorias Paroquiais
de 1758-Alto Minho: Memória, História e Património, Ed. C. M. de Melgaço, 2005).
IAN/TT – Inventários de 1834, pasta B, Santa Maria de Fiães, n.º 1539, pp.1-11.
Mappa do Districto entre o Rio Douro e Minho feito por ordem do Illmo. Exmo. Snr.
Nicolau Trant, Brigadeiro das Armas do Partido do Porto, Ano 1813.
CAPELA, José Viriato – A Revolução do Minho de 1846, Ed. Governo Civil de Braga,
1997.
CAPELA, José Viriato – Os vinhos de Monção. Problemas de produção e comércio no
tempo das Memórias Paroquiais de 1758, in ‘Monção nas Memórias Paroquiais de
1758’, Ed. Casa Museu de Monção/Universidade do Minho, 2003, pp. 62-72.
CAPELA, José Viriato – As freguesias do concelho de Melgaço nas Memórias Paroquiais
de 1758, Ed. Câmara Municipal de Melgaço, 2005.
COCHERIL, Dom Maur – Routier des abbayes cisterciennes du Portugal, Ed. Fondation
Calouste Gulbenkian-Centre Culturel Portugais, Paris, 1986.
COSTA, Avelino de Jesus da – A comarca eclesiástica de Valença do Minho, in ‘I
Colóquio Galaico-Minhoto’, Ponte de Lima, 1981.
DIAS, Jorge – Problemas de método em estudos de comunidade, 1957, in ‘Estudos de
Antropologia. Vol. I, Col. Temas Portugueses, Ed. Imprensa Nacional/Casa da Moeda,
Lisboa, 1990.
DOMINGUES, António – O Ontem de Parada do Monte. Subsídios Etnográficos, 2008.
DOMINGUES, José – O Couto de S. João de Lamas de Mouro. Suplemento Histórico, Ed.
Câmara Municipal de Melgaço, 1999.
DOMINGUES, José – A pastorícia e a passagem de gado na Serra do Laboreiro, in
‘Boletim Cultural’, n.º 6, 2007, Ed. da C. M. de Melgaço’, pp. 87-107.
FEIJÓ, Rui Graça – Liberalismo e Transformação Social, Ed. Fragmentos, Lisboa, 1992.
LEITE, Antero – As pesqueiras do Rio Minho. Economia, Sociedade e Património. Ed.
COREMA, Caminha, 1999.
LEITE, Antero – As vendas dos vinhos da Ribeira Minho às ‘Fábricas’ de Aguardente da
Companhia Geral do Alto Douro (1779-1780), in ‘Boletim Cultural da Câmara Municipal
de Melgaço’, n.º 5, 2006, pp. 179 a 214.
LIMA, Alexandra Cerveira Pinto S.-Castro Laboreiro. Povoamento e organização de um
território serrano, in Cadernos Juriz/Xures, n.º 1Ed. ICN, PNPG, C.M. Melgaço, 1996.
MARQUES, José – Relações económicas do Norte de Portugal com o reino de Castela
no séc. XV, Sep. ‘Bracara Augusta’, Braga, 32, Fasc. 73-74 (85-86), 1978.
MARQUES, José – O Mosteiro de Fiães, Braga, 1990.
MARQUES, José – Relações entre Portugal e Castela nos Finais da Idade Média, Ed.
Fundação Calouste Gulbenkian-Junta Nacional de Investigação Científica e
Tecnológica, Lisboa, 1994.
MARQUES, José – Vereações municipais de Melgaço, 1799 (2.ª parte), in ‘Boletim
Cultural’, n.º 3, 2004, Ed. Câmara Municipal de Melgaço.
MATTOSO, José – Identificação de um País, vol I- Oposição, Ed. Estampa, Lisboa, 1988.
MEDEIROS, Isabel – Estruturas pastoris e povoamento na Serra da Peneda, in ‘Estudos
de Geografia Humana e Regional’, Centro de Estudos Geográficos, Universidade de
Lisboa/INIC, 1984.
OLIVEIRA e F. GALHANO, Ernesto Veiga de – Tecnologia Tradicional. Pisões Portugueses,
Ed. Instituto Nacional de Investigação Científica - Centro de Estudos de Etnologia,
Lisboa, 1977.
PINTOR, Bernardo – Melgaço Medieval, in ‘Obras Completas I’, reed. Rotary Club de
Monção, 2005, pp. 67-163.
25
PINTOR, Bernardo – Por Terras de Soajo, São Bento do Cando na freguesia de Gavieira,
in ‘Terras de Valdevez’, 2, Braga, 1981, pp. 5-30.
RIBEIRO, Maria Luísa e ARMANDO MOREIRA – Notícia Explicativa da Folha 1-B
(Monção), Ed. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa, 1986.
RODRIGUES, Henrique – Emigração e Alfabetização. O Alto Minho e a Miragem do
Brasil, Ed. Governo Civil de Viana do Castelo, 1995.
SOUSA, Fernando e Jorge Fernandes Alves - ‘Alto Minho. População e Economia nos
Finais de Setecentos’, Editorial Presença, 1997, pp.102-162).
VASCONCELLOS, Leite de – De terra em terra. Excursões arqueológica-etnográficas
através de Portugal. Vol. I, Lisboa, 1927, p.20-30.
VILLASBOAS, Custódio Jozé Gomes de – Descripção Topographica das Commarcas
Fronteiras da Província do Minho, 1800 (inserido em Fernando de Sousa e Jorge
Fernandes Alves- ‘Alto Minho. População e Economia nos Finais de Setecentos,

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Referências históricas ao Traje de Castro Laboreiro (Parte II)


Grupo de Castrejas em 1911

Fernando Galhano na sua juventude e acompanhado de dois seus irmãos visitaram Castro Laboreiro levados pela imagem de uma terra medieval bárbara dada pelo Minho Pitoresco’.(…) Lembro-me da partida de Melgaço munidos da apresentação do Comando da Guarda Fiscal para os postos da raia, da paragem junto do pouco que resta do mosteiro gótico de Fiães, da chegada à antiga vila. Mas, curiosamente, dessa estadia de duas ou três semanas entre fragas e gende rude, guardo apenas uma recordação muito vaga. Casas cobertas de colmo no meio de uma paisagem agreste de calhaus, uma igreja de granito tostado, de onde aos domingos saíam mulheres embuçadas em capuchas escuras; (…) uma mulher com o filhito ao peito atado no fateiro a lavrar uma terra magras, para centeio; pedra e mais pedra.
Alice Geraldes no seu estudo Brandas e Inverneiras - Particularidades do sistema agro-pastoril crastejo, editado em Junho de 1996, destaca uma distinção das comunidades castrejas conforme a sua localização em relação à margem do rio Laboreiro: os do Pedroso ou Camarros vivendo na margem esquerda; a margem direita é chamada terra dos Gorriões, na qual se incluem além das brandas, ainda 5 lugares fixos.
Esta diferenciação veio a reflectir-se na atitude dos castrejos perante a permanência no seu seio do modo de vida tradicional. Os da margem esquerda (ou Camarros) eram considerados pelos da margem direita como mais atrasados por manterem um certo vocabulário, roupas antigas e algumas tradições.
A mesma autora em Castro Laboreiro e Soajo – Habitação, vestuário e trabalho da mulher refere que o primeiro casamento que se realizou na «Vila» com noiva à moda da cidade, isto é, sem ser à moda da terra, data de cerca de 1967.
Em sua opinião entre os diversos factores que concorreram para as alterações
no vestir das mulheres castrejas salienta-se o da emigração dos homens obrigando à mobilização total da mão de obra feminina para as tarefas do campo fazendo cair em desuso, tanto as práticas artesanais da confecção de tecidos, como a própria confecção manual dos modelos tradicionais (…) Por tal razão tanto as tecedeiras como as «costureiras» da família não puderam transmitir às gerações mais novas nem a arte de tecer, nem a arte de confeccionar roupas.
Porém quando realizou o seu levantamento, Alice Geraldes constatou que, no lugar dos Camarros, na margem esquerda do rio Laboreiro, ainda se usavam certas peças do vestuário feminino tradicional já desaparecidas do resto da freguesia. (…) Durante as estações frias a mulher de Castro Laboreiro veste, como se vestiam as suas irmãs de há 50 anos atrás. Continua a pôr a capa negra sobre a cabeça resguardada com um lenço, a usar «calçons» sobre as meias altas de lã, a trazer a saia preta pregueada e sobre esta o «mandil». Também verificou ser usado o fateiro com que as mães prendiam ao seu corpo os filhos de tenra idade quando trabalhavam ou se deslocavam a cavalo. Ainda hoje a mulher crasteja usa, em certas ocasiões, a capa e o fateiro foi recentemente utilizado por uma jovem mãe como nos referiu D. Elisabete Sousa, de Castro Laboreiro.
Aponta-se o isolamento da comunidade como uma das razões da não permeabilidade às modas. Contudo, este argumento é de relativa importância, pois, os crastejos sempre estiveram em contacto com o mundo exterior, quer quando comerciavam gado pela fronteira seca, quer nas trocas pela rota do contrabando, quer ainda nas idas à feira em Melgaço ou quando desciam à Ribeira para venderem carvão.
A melhoria das comunicações rodoviárias teve impacto sobretudo na construção de novas habitações ao permitir o acesso à vila de camiões carregados com diversos materiais. Foi também após a chegada, em 1947, da estrada a Castro Laboreiro que alfaias agrícolas como as máquinas de malhar e erguer o centeio vieram substituir o trabalho dos malhadores nas eiras.
O urbanismo na vila também se alterou com o alinhamento das casas ao longo da nova estrada. Porém, nas brandas e inverneiras manteve-se o povoamento concentrado e as novas construções erguidas com os réditos da emigração continuaram a estruturar-se para servir de habitação no andar superior reservando-se o piso térreo para corte de animais.

O trajo crastejo alterou-se, sim, com o desaparecimento de certos trabalhos e a substituição de tecidos em lã e linho pelos de origem industrial. O uso do singuidalho (ou mandil das velhas) acompanhou o declínio do pastoreio, do corte do mato e da produção de carvão até se extinguir completamente. 


Extraído de: LEITE, Antero & LEITE, Maria Antónia M. Cardoso - O Trajo Castrejo. ACER - Associação Cultural e de Estudos Regionais.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Referências históricas ao Traje de Castro Laboreiro (Parte I)

Castro Laboreiro, 1911

Em carta datada de 26 de Setembro de 1791, Dom Frei Caetano Brandão descrevia assim o traje das mulheres de Castro Laboreiro: Não há coisa mais fêa que o (uniforme)do sexo feminino; huma manta de Çaragoça dobrada na cabeça descendo da parte de diante até o peito muito cozida com o rosto; de traz até quasi ao chão; hum avental da mesma, ou mantéo, sem género de refego, nem prega, polainas de panno branco, e huns tamancos muito altos, atados com diferentes corrêas; he o vestido geral de todas.
A esta fealdade no trajar, Dom Frei Caetano Brandão acrescentou liminarmente a sua apreciação sobre os rostos das crastejas: as caras são de tapuyas tostadas e disformes.
No ‘Minho Pitoresco’, cerca de um século depois, José Augusto Vieira exprimia uma opinião diferente ao afirmar a crasteja com quem conversavamos, assim como todas as que se relaccionaram comnosco, de tracto affável e simples, modesta e com uma physionomia expressiva. Em todas encontrámos uma regularidade de traços, formando um conjuncto agradável e sympathico.
As peças mais originais do costume, ou trajo, que vestiam eram: a mantela, espécie de lenço para a cabeça, o collete, o manteo largo deitado desde os hombros até aos joelhos, as piugas e os tamancos que dão à crasteja a pequenez do pé, como acontece na China com os borzeguins das altas damas. Chamam-lhes na linguagem local «alabardeiros».
Alguns anos depois, em 1904, Leite de Vasconcellos e o Abade de Melgaço, José Domingues, empreendem uma excursão a Castro Laboreiro "montados em mulas e acompanhados de duas mocetonas, calçadas de grossos çoques (isto é, çocos ou socos), e com polainas de branqueta.
Quando chegaram a Castro Laboreiro era dia de feira e o etnógrafo observou ‘muitos homens juntos: apresentavam-se geralmente de cara rapada, vestidos de çaragoça (jaqueta, calças e collete), traziam chapéus de panno ou carapuça, e varapau. Mulheres, por ser de gado a feira, não andavam lá muitas. O trajo ordinário d’ellas é: camisa; faxa vermelha; collete; jaqueta; saia branca; saiote; saia de cor, quási sempre,preta, feita de foloado «panno de lã de ovelha ou de linho» que se fabrica em Castro; mandil, singuidalho, do mesmo ou de outro panno; na cabeça capella, que pode ser substituída por lenço; nas pernas calções e piúcas, meias sem pés, que se prendem com uma liga ou baraça; e nos pés chancas.(…) No Inverno, tanto homens como mulheres, se abrigam das neves, chuvas e friagens com o corucho, espécie de capuz de burel que se traz na cabeça, e tem uma espécie de aba que se prolonga pelas costas abaixo."
Um outro visitante de Castro Laboreiro foi o jornalista alemão Bruno Buchenbacher que percorreu o Alto Minho logo após a implantação da República. Referiu-se aos castrejos como "trabalhadores incansáveis e confessou a sua surpresa por ter encontrado na vila duas fábricas de chocolate cuja qualidade elogiou. Salientou ainda dois característicos notáveis: lindas cachopas e formidáveis cães, ambos para recear"… 
Das fotografias que tirou destaca-se a de uma castreja vestindo trajo tradicional.

Extraído de: LEITE, Antero & LEITE, Maria Antónia M. Cardoso - O Trajo Castrejo. ACER - Associação Cultural e de Estudos Regionais.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Parada do Monte nos tempos anteriores à formação de Portugal e Idade Média (parte II)



A produção de gado tinha nos baldios o seu principal espaço. Os pastos comuns situavam-se nas zonas mais altas da freguesia envolvendo as brandas de Travassos e Mourim. Era o território do ‘gado do vento’ referido nos forais. Dos baldios obtinha-se ainda matos, lenha e carvão. Isabel Medeiros data a sua origem dos tempos da ‘primeira fase da Reconquista’ (Idem, ibidem: 27).
Para a mesma investigadora, ‘a evolução registada na utilização da área baldia em relação com a própria posição dos lugares repercutiu-se amplamente nas formas de organização do pastoreio’ (Idem, ibidem: 36). A ‘vezeira‘ era predominante ocupando a comunidade de pastores que em dias alternados se deslocavam com a ‘fazenda’ de ovelhas e cabras para os baldios por caminhos íngremes e muitas das vezes arrostando com intempéries sem outra protecção contra o frio e a chuva a não ser a da ‘croça’. Percorriam grandes distâncias até Santo António de Val de Poldros e Aveleira. Durante a sua permanência nos montes utilizavam, como poiso, as ‘cardenhas’ - construções ciclópicas em falsa cúpula dispondo de rudimentares condições de conforto mas subdivididas em dois andares para alojamento separado dos animais e do pastor Com este movimento interno coexistia um trânsito pela raia seca de Porto dos Asnos de gados e mercadorias praticado pelos dois povos desde tempos imemoriais e que não foi afectado pela divisão entre os dois estados (Domingues, 2007: 94). ‘Nos tempos medievais já os Montes de Laboreiro recebiam rebanhos provenientes da Galiza, movimento compensado por deslocações de gados portugueses também para o lado da fronteira. Este intercâmbio, que durante muito tempo nem teria sido sujeito a tributação, e que animava o pastoreio na montanha, passou mais tarde a ser afectado pelo imposto de montado, o qual recairia decerto sobre os gados galegos transumantes que, a partir de Abril, tilizavam as ervagens frescas da serra’ (Idem, ibidem).
Para Carlos Alberto Ferreira de Almeida, ‘a complementaridade que o mosteiro de Fiães desenvolveu entre a criação de gado e cultivos de Verão (na serra) e a agricultura em ecologia de vale, é bem possível que o sistema de brandas e das inverneiras lhe deva muito’ (Almeida, 1991: 79-cit. Lima, 1996: 88-nota. 6).
Bernardo Pintor encontrou documentos do mosteiro de Fiães do séc. XIV nos quais ‘aparece delimitada a «granja de Fervença», entre a «granja de Travassos», hoje um lugar de Parada do Monte e a «Bouça dos Homens», branda da freguesia da Gavieira.
Da mesma forma surge o «aforamento do montâdego» de Campelo, junto à Aveleira. Esta última povoação é hoje uma branda de Gave’ (Lima, 1996: 83-cit. Pintor, 1981:20).
As Inquirições de 1258 são omissas a Parada do Monte mas ao referirem-se a S. Pedro de Mouro (hoje Riba de Mouro) ‘disseram que quando houver guerra hão de guardar as travessas (travessias) do Monte de Laboreiro’. Os habitantes de Parada do Monte estavam também obrigados a prestar tal serviço pois o seu território integrava-se no de Riba de Mouro. Havia ainda o costume antigo de prestarem ‘rogos’ quando algumas pessoas da Galiza casavam e que eram ‘o mesmo que geiras ou prestações de serviços agrícolas e cada geira do campo, sendo completa, constava de cinquenta homens de cava’ (Marques, 1994:20). Este costume causava a ruína dos lavradores conforme se aludia numa petição dirigida pelo concelho de Valadares a D. Afonso V. Em 1462, o Rei decidiu que taes rogas nom aver nem se darem nem irem dar a Gualiza nem virem de la os dar ca’, tendo fixado a multa de 1.000 reais aos que infringissem esta sua directiva (idem, ibidem).
Na ocupação humana do território sob os Montes Laboreiro e em particular do Vale do Mouro exerceu importância significativa a circulação de pessoas e bens por estradas e caminhos. Existia uma via vinda de Valadares pelo Monte da Cumieira e que se dirigia para Cousso, Pomares, Cubalhão e Lamas de Mouro. Daqui continuava para Alcobaça e Porto de Cavaleiros onde atravessava a fronteira. Uma outra derivação atingia Portelinha ramificando-se para o Soajo, Castro Laboreiro e Entrimo. Era o eixo do comércio do gado pela raia seca referido em documentos (Marques, 1978). Também permitia a circulação do carvão, mel, cera e caça (Medeiros, 1984:64). Parada do Monte comunicava com aqueles destinos através do percurso pela branda de Travassos, de difícil progressão dado o relevo do terreno, ou então atravessando o Mouro pela ponte da Minhoteira e subindo a Pomares. Era também nesta direcção que se ía à feira em Melgaço com passagem por Paderne, lugar de Moinhos, ponte da Folia e Remoães. O percurso estabelecia também ligação com S. Marcos onde existia uma barca de passagem do Rio Minho permitindo a entrada na Galiza por Arbo.
Havia ainda o caminho seguindo pela margem esquerda do rio Mouro com passagem por Gave, Riba de Mouro até Valadares, sede do concelho. Era por ele que se fazia um importante trânsito de pessoas e mercadorias, particularmente nos dias em que havia feira em Valadares.

Extraído de:
LEITE, Antero & LEITE, Maria Antónia Cardoso - Parada do Monte, História e Património. ACER.

Outra bibliografia citada:


Carta Geológica de Portugal (Folha 1-B), Ed. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa
1986.
AGCVC- Correspondência com várias entidades (Abril 1846-Nov. 1846). Cota 1.8.3.9:
-Circular de 08.04.1846 do Secretário do Ministério do Reino ao Governador Civil de
Viana do Castelo;
-Circular de 15.04.1846 do Secretário do Ministério do Reino ao Governador Civil de
Viana do Castelo;
-Circular de 30.06.1846 do Administrador do concelho de Monção ao Governador Civil
de Viana do Castelo;
-Circular de 22.09.1846 do Secretário de Estado dos Negócios do Reino ao Governador
Civil de Viana do Castelo.
Um fulão-Desenho de F. Galhano
24
AMM – Livro de registo da correspondência expedida pela Câmara de Valadares, ano
1853, Cota 1.18. 6. 20.
AMM-Tombo do extincto Concelho de Valadares, 1829, s/cota.
IAN/TT–Memórias Paroquiais, vol. 27, memoria 58, pp. 383-388 (publicado em CAPELA,J.
Viriato - As freguesias do concelho de Melgaço nas Memorias Paroquiais de 1758-Alto
Minho: Memória, História e Património, Ed. C. M. de Melgaço, 2005).
IAN/TT – Inventários de 1834, pasta B, Santa Maria de Fiães, n.º 1539, pp.1-11.
IAN/TT–Memórias Paroquiais, vol. 17, memória 69, pp. 361-364 (publicado em CAPELA,J.
Viriato - As freguesias do concelho de Vila Nova de Cerveira nas Memorias Paroquiais
de 1758-Alto Minho: Memória, História e Património, Ed. C. M. de Melgaço, 2005).
IAN/TT – Inventários de 1834, pasta B, Santa Maria de Fiães, n.º 1539, pp.1-11.
Mappa do Districto entre o Rio Douro e Minho feito por ordem do Illmo. Exmo. Snr.
Nicolau Trant, Brigadeiro das Armas do Partido do Porto, Ano 1813.
CAPELA, José Viriato – A Revolução do Minho de 1846, Ed. Governo Civil de Braga,
1997.
CAPELA, José Viriato – Os vinhos de Monção. Problemas de produção e comércio no
tempo das Memórias Paroquiais de 1758, in ‘Monção nas Memórias Paroquiais de
1758’, Ed. Casa Museu de Monção/Universidade do Minho, 2003, pp. 62-72.
CAPELA, José Viriato – As freguesias do concelho de Melgaço nas Memórias Paroquiais
de 1758, Ed. Câmara Municipal de Melgaço, 2005.
COCHERIL, Dom Maur – Routier des abbayes cisterciennes du Portugal, Ed. Fondation
Calouste Gulbenkian-Centre Culturel Portugais, Paris, 1986.
COSTA, Avelino de Jesus da – A comarca eclesiástica de Valença do Minho, in ‘I
Colóquio Galaico-Minhoto’, Ponte de Lima, 1981.
DIAS, Jorge – Problemas de método em estudos de comunidade, 1957, in ‘Estudos de
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Lisboa, 1990.
DOMINGUES, António – O Ontem de Parada do Monte. Subsídios Etnográficos, 2008.
DOMINGUES, José – O Couto de S. João de Lamas de Mouro. Suplemento Histórico, Ed.
Câmara Municipal de Melgaço, 1999.
DOMINGUES, José – A pastorícia e a passagem de gado na Serra do Laboreiro, in
‘Boletim Cultural’, n.º 6, 2007, Ed. da C. M. de Melgaço’, pp. 87-107.
FEIJÓ, Rui Graça – Liberalismo e Transformação Social, Ed. Fragmentos, Lisboa, 1992.
LEITE, Antero – As pesqueiras do Rio Minho. Economia, Sociedade e Património. Ed.
COREMA, Caminha, 1999.
LEITE, Antero – As vendas dos vinhos da Ribeira Minho às ‘Fábricas’ de Aguardente da
Companhia Geral do Alto Douro (1779-1780), in ‘Boletim Cultural da Câmara Municipal
de Melgaço’, n.º 5, 2006, pp. 179 a 214.
LIMA, Alexandra Cerveira Pinto S.-Castro Laboreiro. Povoamento e organização de um
território serrano, in Cadernos Juriz/Xures, n.º 1Ed. ICN, PNPG, C.M. Melgaço, 1996.
MARQUES, José – Relações económicas do Norte de Portugal com o reino de Castela
no séc. XV, Sep. ‘Bracara Augusta’, Braga, 32, Fasc. 73-74 (85-86), 1978.
MARQUES, José – O Mosteiro de Fiães, Braga, 1990.
MARQUES, José – Relações entre Portugal e Castela nos Finais da Idade Média, Ed.
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Tecnológica, Lisboa, 1994.
MARQUES, José – Vereações municipais de Melgaço, 1799 (2.ª parte), in ‘Boletim
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MATTOSO, José – Identificação de um País, vol I- Oposição, Ed. Estampa, Lisboa, 1988.
MEDEIROS, Isabel – Estruturas pastoris e povoamento na Serra da Peneda, in ‘Estudos
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Lisboa/INIC, 1984.
OLIVEIRA e F. GALHANO, Ernesto Veiga de – Tecnologia Tradicional. Pisões Portugueses,
Ed. Instituto Nacional de Investigação Científica - Centro de Estudos de Etnologia,
Lisboa, 1977.
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Monção, 2005, pp. 67-163.
25
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RIBEIRO, Maria Luísa e ARMANDO MOREIRA – Notícia Explicativa da Folha 1-B
(Monção), Ed. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa, 1986.
RODRIGUES, Henrique – Emigração e Alfabetização. O Alto Minho e a Miragem do
Brasil, Ed. Governo Civil de Viana do Castelo, 1995.
SOUSA, Fernando e Jorge Fernandes Alves - ‘Alto Minho. População e Economia nos
Finais de Setecentos’, Editorial Presença, 1997, pp.102-162).
VASCONCELLOS, Leite de – De terra em terra. Excursões arqueológica-etnográficas
através de Portugal. Vol. I, Lisboa, 1927, p.20-30.
VILLASBOAS, Custódio Jozé Gomes de – Descripção Topographica das Commarcas
Fronteiras da Província do Minho, 1800 (inserido em Fernando de Sousa e Jorge
Fernandes Alves- ‘Alto Minho. População e Economia nos Finais de Setecentos,

sábado, 8 de junho de 2013

Parada do Monte nos tempos anteriores à formação de Portugal e Idade Média (parte I)


A ocupação humana do Vale do Mouro no Neolítico está comprovada pela existência de um núcleo dolménico em Couço referido na Carta Geológica de Portugal (Folha 1-B) e na mamoa da Mina da Mota na zona de Travassos.
Da Idade do Ferro poderão subsistir povoados castrejos em algumas cristas dos montes envolventes a Parada ainda não objecto de escavações arqueológicas.
Relativamente próximo, encontraram-se casas redondas nas elevações que se perfilam no curso inferior do rio Mouro (Monte da Ascenção, Senhora da Graça, Tangil, Trute). A montante e a sudoeste de Castro Laboreiro, que está assente num velho Castro proto-histórico, também existe à cota 1033, um outro Castro’( Ribeiro e Moreira, 1986:41). Parada do Monte poderá ter sido um núcleo da cultura castreja.
Dos tempos da Romanização não existem vestígios descobertos mas não será de excluir a hipótese de as legiões romanas terem subido o Vale do Mouro para dominarem os povos do Laboreiro utilizando uma via partindo das margens do Minho e passando por Messegães, Valadares, Riba de Mouro e Gave. Parada seria um ‘entreposto, local de paragem a caminho de outros locais’ (Domingues, 2008: 90).
Por esta via também teriam passado os cavaleiros da Reconquista em luta com os Muçulmanos e D. Afonso Henriques quando tomou o castelo de Laboreiro.
A fixação de ordens militares depois da expulsão da mourama está compreendida na política de estabilização e povoamento do território dos nossos primeiros reis. Lamas de Mouro, freguesia próxima de Parada do Monte, esteve ocupada pelos Templários (Domingues, 1999). Houve também interesse régio em colocar na raia do Minho, cavaleiros fiéis concedendo-lhes vastos domínios. A Soeiro Alves, D. Afonso Henriques coutou a terra de Valadares que incluía o Vale do Mouro e as povoações de Badim, Cousso, Paderne e Fiães (Mattoso, 1988: 140-141).
Parada do Monte era ainda uma pequena aldeia, de casas cobertas a colmo, rodeada de algumas herdades pertencentes aos monges de Fiães que procuraram ampliar os seus domínios para além do couto que lhes havia sido concedido pelo nosso primeiro rei. Uma das formas que utilizaram foi a de receberem terras por doação testamentária.
Bernardo Pintor ao estudar a documentação existente no Arquivo Distrital de Braga, encontrou uma escritura no ‘Cartulário’ do Mosteiro de Fiães, datada de 1194, referindo Parada do Monte como estando situada ‘subtus mons leporario’, ou seja, sob os Montes Laboreiro (Pintor, 1975-reed. 2005: 341). Num outro documento também do séc. XII são definidos os limites de Parada do Monte os quais para aquele investigador corresponderiam aos da freguesia (Pintor, 1975-reed. 2005: 73).
Uma doação testamentária feita por Afonso Pais e mulher Urraca Dias ao Mosteiro de Fiães, datada de Setembro de 1221, cita uma herdade correspondente à ‘oitava parte da Parada’ com os limites: ‘Pelo Mourilhão até ao Curro de Abril e daí a Fervença e daí ao Parte Águas daí desce pelo rio Menduro e fecha no Mouro…’ (ADB, 1221). Bernardo Pintor em ‘A Voz de Melgaço’, de 1 Novembro de 1947, explica que ‘Curro de Abril se chama hoje Cruz de Abril e fica entre as brandas de Mourim e de Covelo. Fervença é junto à branda de Bouça talvez um nada afastado dos actuais limites. Rio Menduro é o Medoira’ (Domingues, 2008: 97).

O processo de aquisição de terras pelas doações testamentárias possibilitou uma acumulação fundiária pelos monges do Mosteiro de Fiães que as exploraram concedendo parcelas em regime de aforamento. Segundo Isabel Medeiros ‘a multiplicação de casais e dos aforamentos poderá ter densificado a malha de ocupação, sobretudo nas terras baixas, mais ricas e férteis , e nas coutadas, embora também nos altos planaltos a intensidade da vida pastoril tenha contribuído para desenvolver um ponteado de cabanas e cortas, situadas sobretudo nas áreas privilegiadas em pasto, frequentadas principalmente no Verão’ (Medeiros, 1984: 63). 

Extraído de:
LEITE, Antero & LEITE, Maria Antónia Cardoso - Parada do Monte, História e Património. ACER.

Outra bibliografia citada:


Carta Geológica de Portugal (Folha 1-B), Ed. Serviços Geológicos de Portugal, Lisboa
1986.
AGCVC- Correspondência com várias entidades (Abril 1846-Nov. 1846). Cota 1.8.3.9:
-Circular de 08.04.1846 do Secretário do Ministério do Reino ao Governador Civil de
Viana do Castelo;
-Circular de 15.04.1846 do Secretário do Ministério do Reino ao Governador Civil de
Viana do Castelo;
-Circular de 30.06.1846 do Administrador do concelho de Monção ao Governador Civil
de Viana do Castelo;
-Circular de 22.09.1846 do Secretário de Estado dos Negócios do Reino ao Governador
Civil de Viana do Castelo.
Um fulão-Desenho de F. Galhano
24
AMM – Livro de registo da correspondência expedida pela Câmara de Valadares, ano
1853, Cota 1.18. 6. 20.
AMM-Tombo do extincto Concelho de Valadares, 1829, s/cota.
IAN/TT–Memórias Paroquiais, vol. 27, memoria 58, pp. 383-388 (publicado em CAPELA,J.
Viriato - As freguesias do concelho de Melgaço nas Memorias Paroquiais de 1758-Alto
Minho: Memória, História e Património, Ed. C. M. de Melgaço, 2005).
IAN/TT – Inventários de 1834, pasta B, Santa Maria de Fiães, n.º 1539, pp.1-11.
IAN/TT–Memórias Paroquiais, vol. 17, memória 69, pp. 361-364 (publicado em CAPELA,J.
Viriato - As freguesias do concelho de Vila Nova de Cerveira nas Memorias Paroquiais
de 1758-Alto Minho: Memória, História e Património, Ed. C. M. de Melgaço, 2005).
IAN/TT – Inventários de 1834, pasta B, Santa Maria de Fiães, n.º 1539, pp.1-11.
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1997.
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tempo das Memórias Paroquiais de 1758, in ‘Monção nas Memórias Paroquiais de
1758’, Ed. Casa Museu de Monção/Universidade do Minho, 2003, pp. 62-72.
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de 1758, Ed. Câmara Municipal de Melgaço, 2005.
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Calouste Gulbenkian-Centre Culturel Portugais, Paris, 1986.
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Companhia Geral do Alto Douro (1779-1780), in ‘Boletim Cultural da Câmara Municipal
de Melgaço’, n.º 5, 2006, pp. 179 a 214.
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Tecnológica, Lisboa, 1994.
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