sexta-feira, 18 de maio de 2018

As águas curativas de Melgaço em meados do século XVIII





Melgaço é conhecido desde fins do século XIX como terra de águas milagrosas. Das nascentes da estância termal do Peso, nasce uma água com caraterísticas ímpares em Portugal, especialmente no tratamento da diabetes e que foi descoberta há cerca de 130 anos.
Todavia, desde há várias séculos, há referências a nascentes de águas com caraterísticas medicinais que os fregueses sempre acreditaram que curavam determinadas doenças. Noutros artigos anteriores, já aqui fiz referências às Caldas de Fiães e Paderne e outras nascentes em outros pontos do concelho.
No século XVIII, temos as Memórias Paroquias como uma das mais importantes fontes históricas para nos ajudar a compreender como era Melgaço na época. Mas o que são as memórias Paroquiais de 1758?
Um aviso de 18 de Janeiro de 1758 do Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, fazia remeter, através dos principais prelados, e para todos os párocos do reino, os interrogatórios sobre as paróquias e povoações pedindo as suas descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas, e administrativas, para além da questão dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755. As respostas deveriam ser remetidas à Secretaria de Estado dos Negócios do Reino. Desta forma, estas Memórias Paroquias correspondem a um conjunto de respostas dadas a esse inquérito.
Um dos itens sobre os quais os párocos eram questionados, era a existência ou não nas paróquias de nascentes de águas curativas bem como as suas caraterísticas e prescrições.
Em Melgaço, vários párocos fazem referências a nascentes nas suas memórias paróquias em 1758. Um deles é o pároco de Castro Laboreiro que nos conta que na chamada Ribeira do Porto dos Asnos existe uma “(...) água que tem virtude para curar as chagas, e forragem da boca nos meninos lactantes, em que mais comumente se acha este dano”. Tais virtudes das águas desta ribeira são confirmadas no livro do Padre Carvalho da Costa no seu livro “Corografia Portuguesa” (1706) quando este afirma que “quando himos do Porto dos Asnos, ou Cavalleiros, passamos outro limitado ribeiro, pelo qual foy a pé o Santo Arcebispo Dom Frey Bertholameu dos Martyres a visitar aquella Igreja. Tem virtude esta água para curar a boca lixosa às crianças e outras enfermidades”.
Por outro lado, o pároco de Penso, também nos fala de uma fonte de nascente junto ao rio Minho que é conhecida há séculos como a Fonte Santa. O sacerdote escreveu nas Memórias que “(...) se lhe cha­ma por tradição antiga a Fonte Santa, tem a água dela várias vir­tudes. Tem a água desta fonte um cheiro de enxofre mas no sabor não tem mau gosto. É muito clara e muito fresca, somente o cheiro de enxofre tem a circunstância que lançando-se na dita água alguma prata a põe em breves instantes amarela como perfumada de ouro e logo se tira da água esfregando-a com os dedos da mão se alimpa e fica como dantes limpa. Por donde corre água da dita fonte deita um limo pelo rego da cor do mesmo eixofar”. O padre escreve ainda que a água emanada desta fonte era indicada “(...) especialmente para queixas de destemperança de fígado, lepra e outras mais queixas que procederam de humores quentes. Tem mais a virtude que quem beber da água dela lhe abre a vontade de comer se tiver fastio (...) e lavando alguma ferida com a água dela são especialmente se for presidida deste […] do fígado tem sido muita gente que vem tomar banhos a ela recuperando a saúde perdida de água milagrosa”.
Podemos ainda ler nas Memórias Paroquiais de Chaviães, onde o vigário nos fala de umas águas que nascem nas margens do rio Minho ou emergem no meio deste. O dito sacerdote carateriza essas águas como “Salutíferas, medicinais, asidulas por passarem por minerais de ferro (…) e costumam onde nasce, correr pouca água, deixar por cima um lasso prateado com algumas feses douradas”. O vigário fala-nos que estas águas “tem virtude eficaz para curar feridas porque são um conjunto de vá­rias águas e muitas delas são sulfúreas que nascem pela borda do dito rio e outras nasceram no centro dele e pelas áreas de ouro”.
Ainda em relação às águas do rio Minho, o vigário de Chaviães escreve nas Memórias Paroquiais que “hum célebre médico castelhano, (…) D. Jozé Lavandera (…) fez nelas suas experiências e foi maravilhado dellas, dizendo que tinham a mesma virtude que as de [Prixmoni?], em Inglaterra”.
Como vemos, as crenças nos poderes curativos das águas de diversas nascentes no nosso concelho de Melgaço é muito mais antigo que o conhecimento das virtudes das águas do Peso…                    

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de S. Martinho de Alvaredo




No artigo de hoje, prestamos homenagem aos soldados de São Martinho de Alvaredo que integraram o Corpo Expedicionário Português e que combateram nas trincheiras da Flandres Francesa entre meados de 1917 e Novembro de 1918. Foram eles António Besteiro, do lugar da Carrasqueira; Avelino Fernandes, do lugar de Ferreiros; Abel Fernandes, do lugar da Fonte; Nicolau de Souza Lobato, do lugar da Charneca e Artur Domingues do lugar do Maninho. Os três primeiros pertenciam à célebre Brigada do Minho (4ª Brigada de Infantaria do Corpo Exedicionário Português), enquanto que o soldado Nicolau Lobato integrava o Regimento de Cavalaria 4 e o soldado Artur Domingues pertencia ao 1º Esquadrão de Remonta.
Todos regressaram vivos da guerra. Apresentam-se aqui as informações que se conseguiram apurar acerca do percurso de cada um deles durante a guerra:

1 - Avelino Fernandes, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às três horas da manhã do dia 7 de Novembro de 1893, filho de Francisco Fernandes e Libania Martins Peixoto, natural do lugar de Ferreiros, freguesia de Alvaredo, neste concelho de Melgaço.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Justina Domingues Caldas desde 4 de Janeiro de 1913.
Embarcou para França em 18 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 462, onde pertenceu à celebre Brigada do Minho.
Do seu percurso no cenário de guerra, em França, pouco se sabe. Sabemos que participou na trágica Batalha de La Lys. Nessa batalha, a 9 de Abril de 1918, desapareceu em combate. Em Novembro de 1918, no final do conflito, por comunicação da Comissão dos Prisioneiros de Guerra, verificou-se que o soldado Avelino Fernandes constava nas listas de prisioneiros de guerra internados em campos alemães. Tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a referida batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Dulmen (Alemanha).
O soldado Avelino Fernandes viria a sobreviver à guerra. Ainda se encontrava no campo de prisioneiro em 17 de Dezembro de 1918. Seguiu para a Holanda onde embarcou no navio inglês "Northwestern Miller" em 12 de Janeiro de 1919, tendo desembarcado no Cais de Alcântara, em Lisboa no dia 18 de Janeiro de 1919.
Viria a falecer às seis horas do dia 6 de Agosto de 1964, na freguesia de Alvaredo, concelho de Melgaço.

2 - Abel Fernandes, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu à meia noite do dia 19 de Abril de 1894 no lugar da Fonte, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de Bento Fernandes e de Ana Pires.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar da Fonte, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. Já no cenário de guerra, em França, foi colocado na 1ª Bateria de Morteiros Pesados em 25 de Outubro de 1917, onde se encontrava na 1ª linha de defesa das posições.
Terá combatido na Batalha de La Lys em 9 de Abril de 1918, tendo inclusivamente recebido um louvor “pela boa vontade e inteligência com que desempenhou todos os serviços de serralheiro de que foi encarregado durante o tempo que a bateria esteve na 1ª linha de que resultou todo o pessoal estar bem alojado e com comodidades o que concorreu para a saúde do pessoal” (Louvor pelo Comandante do Batalhão em 11 de Abril de 1918).
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 9 de Junho de 1919.
Depois de voltar da guerra, casou com Alzira Domingues no dia 4 de Fevereiro de 1922. Viria a falecer na freguesia de S. Martinho de Alvaredo em 24 de Novembro de 1984.

3 - Nicolau de Souza Lobato, soldado chauffeur do Regimento de Cavalaria nº 4 do Corpo Expedicionário Português. Nasceu no dia 17 de Janeiro de 1895 no lugar da Charneca, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de José de Souza Lobato e de Hermínia da Glória Domingues.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar da Charneca, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 21 de Abril de 1917.
Já no cenário de guerra, em França, desempenhou sobretudo serviço de condutor no Parque Automóvel do Corpo Expedicionário Português. Viu-se frequentemente envolvido em vários episódios de indisciplina. Baixa à ambulância 5 em 29 de Outubro de 1917, tendo tido alta em 2 de Novembro. Em 13 de Novembro do mesmo ano, volta a baixar à ambulância, tendo alta no dia 17 do mesmo mês e ano.
Em 4 de Fevereiro de 1918, foi punido pelo “Sr. Comandante do 3º Grupo Automóvel com 2 dias de detenção porque tendo ido à revista de saúde e dizendo-lhe ser facultativo para não sair da enfermaria sem tomar um purgante, não cumpriu esta ordem”.
Em 30 de Maio de 1918, volta a envolver-se num episódio de indisciplina, tendo sido punido “pelo Sr. Comandante do Parque Automóvel com 4 dias de detenção por ter faltado à 1ª refeição sem motivo justificado”.
Na sequência destes episódios, em 29 de Julho de 1918, o soldado Nicolau Lobato foi punido pelo Tribunal de Guerra do Corpo Expedicionário “com 60 (sessenta) dias de prisão correcional.
Em 6 de Fevereiro de 1919, baixou ao Hospital de Sangue 8. Em 18 de Março de 1919, passou ao Esquadrão de Remonta. Em 3 de Abril do mesmo ano, encontrava-se no Hospital de Sangue 6, de onde foi evacuado nessa data para o Hospital da Base 1, tendo tido alta no dia 2 de Maio de 1919 para o C.M.C.A. Nessa data, deu entrada nas Prisões da Base afim de recolher ao Depósito Disciplinar 1 “por ali pertencer”. Em 24 de Maio, encontrava-se no Comando Militar do Corpo, de onde seguiu de novo, no dia seguinte, sob escolta, para o Depósito Disciplinar 1. No dia 30 de Maio de 1919, encontrava-se presente no Depósito Disciplinar 1 “afim de cumprir 60 dias de prisão correcional”.
Em 9 de Junho de 1919, encontrava-se no Porto de Embarque de Cherbourg (França) com vista a ser repatriado. Embarcou, juntamente com o pessoal dos Serviços Administrativos, em 22 de Junho de 1919 com destino a Portugal. Desembarca em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 25 de Junho do mesmo ano.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 9 de Junho de 1919.
Depois de voltar da guerra, casou com Claudina Maria Martins no dia 9 de Outubro de 1920. Viria a falecer na freguesia de S. Martinho de Alvaredo, concelho de Melgaço, às 18 horas e 30 minutos dia 17 de Outubro de 1923.

4 - Artur Domingues, soldado do 1º Esquadrão de Remonta - Escola de Equitação. Nasceu às três horas da manhã do dia 14 de Outubro de 1894 no lugar do Maninho, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de André Domingues e de Maria Martins.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar do Maninho, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 2 de Julho de 1917, portador da chapa de identificação nº 67360.
Sabe-se muito pouco do seu percurso durante o conflito. Já no cenário de guerra, em França, seguiu para o Esquadrão de Remonta em 3 de Agosto de 1918, tendo sido promovido a 1º Cabo em 5 de Setembro do mesmo ano. Em 2 de Novembro, estava presente no Quartel General do Corpo Expedicionário, proveniente do dito Esquadrão de Remonta.
Em 6 de Abril, passou à 1ª Secção Auxiliar do Comando do Quartel General do Corpo Expedicionário.
Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal a bordo do navio “Mormugão” (navio alemão de nome original “Kommodore” que foi apresado pelos portugueses em Goa, Índia Portuguesa em 1916) e desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 1 de Novembro de 1919.

5 - António Besteiro, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 18 de Fevereiro de 1892 no lugar da Carrasqueira, freguesia de São Martinho de Alvaredo, filho de José Besteiro e de Florinda Pires.
À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no referido lugar da Carrasqueira, freguesia de Alvaredo, deste concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, portador da chapa de identificação nº 66538, tendo desembarcado no Porto  de Brest (França) no dia 18.
Sabe-se muito pouco do seu percurso durante o conflito. Já no cenário de guerra, em França, baixou à ambulância em 5 em 23 de Agosto de 1918, tendo alta no dia 3 de Setembro.
Após a reformulação do Corpo Expedicionário Português, passa a integrar o 6º Batalhão do C.E.P. Sobreviveu à guerra, tendo embarcado no Porto de Embarque de Cherbourg (França), com destino a Portugal a bordo do navio inglês “Northwestern Miller” em 15 de Abril de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 19 de Abril de 1919.
Após voltar da guerra, casa com Aurora Bernardo em 21 de Maio de 1925. Viria a falecer em 31 de Outubro de 1985 na freguesia de São Martinho de Alvaredo, deste concelho de Melgaço.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

As Pesqueiras do Rio Minho (Alvaredo - Melgaço)



Olhadas de Longe, as pesqueiras parecem anfractuosidades naturais onde o rio Minho bate com força deixando rastos de espuma. Velhas de séculos ou mesmo quase milenares, pois já no século XI eram referidas em doações a mosteiros e ao cabido de Tui, as pesqueiras do Rio Minho, como bens culturais, fazem parte do património paisagístico da Ribeira Minho e testemunham saberes ancestrais na escolha dos melhores sítios para se implementarem, na sua orientação em relação às correntes do rio, no trabalhar a pedra e erguer dos panos dos muros, na escolha da arte da pesca mais adequada e ainda no sistema de partilha comunitária do seu uso.
Tudo isto num vídeo fantástico!
(Fonte: Youtube).


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de S. Paio


S. Paio
(Foto de Annabelle Pereira)

No artigo de hoje, o blogue presta homenagem a cada um dos combatentes naturais da freguesia de S. Paio que lutaram nas trincheiras da Flandres, no norte de França, durante a 1ª Guerra Mundial.
Há cerca de 100 anos, mais de 70 combatentes naturais de Melgaço partiram para esse conflito horrendo. Desses, 5 deles nasceram na freguesia de S. Paio. Foram eles: Inocêncio Carpinteiro, do lugar dos Barreiros; Albano José Flores; Manuel Joaquim da Costa, do lugar dos Lourenços; Alfredo Soares, do lugar da Costa e José Maria Alves Pereira, do lugar do Regueiro. Os primeiros quatro pertenciam à célebre Brigada do Minho (4ª Brigada de Infantaria do Corpo Expedicionário Português), onde teve um papel muito ativo na Batalha de La Lys, enquanto que o soldado José Maria Pereira pertencia ao Batalhão de Sapadores dos Caminhos de Ferro.
Todos estes sampaenses regressaram vivos da guerra. Deixo aqui um resumo das informações que foi possível recolher do percurso de cada um destes valentes soldados durante o conflito:

1 - Inocêncio Augusto Carpinteiro, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 23 de Agosto de 1895 no lugar dos Barreiros, na freguesia de S. Paio, filho de Firmino Augusto Carpinteiro e Joaquina Rosa Soares, lavradores.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar dos Barreiros desta freguesia de S. Paio. Embarcou para França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 556.
Já em França, no cenário de guerra, foi punido em 17 de Outubro de 1917 “pelo Comandante do Batalhão com 15 dias de prisão correcional porque aquando da sua nomeação para serviço nas trincheiras, apresentou a sua reclamação como modos pouco respeitosos”.
Foi punido em 19 de Dezembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 10 dias de detençaão por ter vindo da 1ª linha de trincheiras onde prestava serviço sem autorização e ainda porque sendo por ele interrogado sobre quem o autorizou a vir à 2ª linha, informou falsamente citando o nome do Comandante do posto o que se averiguou não ser verdade…”.
O soldado Inocêncio combateu na Batalha de La Lys (9 de Abril de 1918) tendo sido dado inicialmente como desaparecido em combate. Mais tarde, por comunicação da Comissão dos Prisioneiros de Guerra, verificou-se que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães na referida batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Dulmen (região da Renânia/Norte Westfalia, Alemanha, a cerca de 40 Kms a norte de Dortmund) tendo estado também no Campo de Senne, que fica próximo da cidade alemã de Bielefeld. Com o fim da guerra em Novembro de 1918, os prisioneiros de guerra foram libertados e o soldado Inocêncio terá embarcou no navio inglês "Northwestern Miller" em 12 de Janeiro de 1919, na Holanda, e desembarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 18 de Janeiro de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Ricardina da Conceição Sérvio, natural de S. Paio, em 24 de Agosto de 1920.
Inocêncio Augusto Carpinteiro faleceu em 16 de Setembro de 1981 na freguesia de S. Paio, deste concelho de Melgaço.


Cartão de identificação de Prisioneiro de Guerra do soldado Inocêncio
(Campo de Prisioneiros de Senne, Alemanha)

2 - Albano José Flores, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão), filho de Manuel José Flores e Maria José da Silva, natural da freguesia de S. Paio. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Claudina Rodrigues, natural da freguesia de Paços, concelho de Melgaço. Embarcou para França em 22 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 890. Já em França, no cenário de guerra, baixou à ambulância em 5 de Agosto de 1917, tendo tido alta em 3 de Setembro. Em 15 de Novembro desse ano, encontrando-se em combate, baixou ao hospital por “ter sido ferido em combate neste dia”. Segundo o seu Boletim Individual, a sua hospitalização teve a ver com o facto de ter sido ferido com “estilhaços de granada”. Em 10 de Fevereiro de 1918, seguiu para o Campo Central de Instrução. Encontrava-se de novo em campanha em 2 de Março desse ano, vindo do dito Campo de Instrução.
Já depois do fim da guerra, em Novembro de 1918, em 24 de Janeiro de 1919, recolheu ao 6º Batalhão, indo da Companhia de Telegrafistas do Corpo Expedicionário. Mais tarde, em 6 de Fevereiro do mesmo ano, baixa ao Hospital de Sangue nº 8, tendo alta no dia 18 do mesmo mês, com 2 dias para convalescença. Acabaria por sobreviver à guerra. Depois de recuperado, seguiu para Portugal, juntamente com o 6º Batalhão em 15 de Abril de 1919, a bordo do navio inglês “Northwest Miller”, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara em 19 de Abril.

3 - Manuel Joaquim da Costa, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às cinco horas da tarde do dia 19 de Novembro de 1895 no lugar dos Lourenços, na freguesia de S. Paio, filho de António Joaquim da Costa e Maria Joaquina Marques, lavradores.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar dos Lourenços desta freguesia de S. Paio. Embarcou para França em 7 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 517, onde pertenceu à chamada Brigada do Minho.
Sabe-se pouco do seu percurso de guerra durante o conflito. Sabe-se que já em França, no cenário de guerra, terá combatido na Batalha de La Lys (9 de Abril de 1918), integrando o 2º Grupo de Pioneiros.
Sabe-se também que baixou ao Hospital em 1 de Fevereiro de 1919, tendo tido alta no dia 10 seguinte.
Embarcou no Porto de Cherbourg (França), com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 3 de Abril de 1919.
Após voltar da guerra, viria a casar com Carlota da Pureza Fernandes, em 5 de Fevereiro de 1921.
Manuel Joaquim da Costa viria a falecer em 16 de Outubro de 1969 na freguesia de Paderne, deste concelho de Melgaço.


Cartão da Liga dos Combatentes de Manuel Joaquim da Costa
(Cartão gentilmente cedido por JP Rodrigues)

4 - Alfredo Soares, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da tarde do dia 28 de Março de 1894 no lugar da Costa, na freguesia de S. Paio, filho de José Luís Soares e de Emília de Freitas, lavradores.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado desde 11 de Janeiro de 1914 com Maria Rosa Gomes e era morador no lugar da Granja, desta freguesia de S. Paio, concelho de Melgaço. Embarcou para França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 393, onde pertenceu à chamada Brigada do Minho. No seu percurso durante a guerra, ficaram registados diversos episódios de punições disciplinares por atos considerados desadequados para o contexto.
Já em França, no cenário de guerra, foi punido em 12 de Agosto de 1917 pelo “Senhor Comandante da Companhia com 8 dias de detenção por ter saído da forma sem autorização quando companhia se dirigia para o local de instrução de noite e ter recolhido o quartel da sua companhia”. Dois dias depois, ou seja a 14 de Agosto de 1917, foi novamente punido “pelo Comandante da Companhia com 6 dias de detenção por ser encontrado no centro de instrução e durante o intervalo apoderar-se de alguma fruta de uma nogueira pertencente a uma propriedade que começa no mesmo campo”.
Em 7 de Março de 1918, encontrava-se em combate tendo sido ferido durante as hostilidades.
Foi punido em 19 de Junho de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 10 dias de prisão disciplinar por ter faltado a uma formatura e responder menos conveniente ao Senhor Comandante da Comandante quando este o mandou calar por pretender tomar posse de uma barraca que lhe não pertencia…”.
Foi punido novamente em 23 de Setembro de 1918 “pelo Senhor Comandante do Batalhão com 10 dias de detenção por faltar à revista que teria lugar em 22 (dia anterior), sem motivo justificado…”. Alguns dias depois, em 28 de Setembro do mesmo ano, voltaria a ser novamente punido pelo “Senhor Comandante do batalhão com 10 dias de detenção por faltar aos trabalhos de fortificação e instrução de 26”.
Em 22 de Outubro de 1918, é ferido e baixou à ambulância nº 4, tendo tido alta para a unidade em 9 de Novembro seguinte.
Em 30 de Outubro, no âmbito da reorganização do C.E.P., é integrado no Batalhão de Infantaria nº 22, 2ª Companhia.
Em 5 de Janeiro de 1919, ainda se encontrava-se no Batalhão de Infantaria nº 22, tendo sido abatido ao efetivo dessa unidade nessa data, dando entrada no Depósito Disciplinar 1 no dia seguinte, facto provavelmente relacionado pelos numerosos casos de indisciplina protagonizados pelo soldado Alfredo Soares. Necessitou de cuidados médicos em 15 de Fevereiro de 1919, quando baixou ao Hospital de Sangue 8, tendo tido alta em 12 de Maio seguinte.
Em 5 de Junho de 1919, seguiu para o Pelotão de Estafetas afim de ali aguardar julgamento, vindo das Prisões da Base. Nada consta acerca do julgamento no seu Boletim Individual. Apenas sabemos que embarcou no Porto de Cherbourg (França), com destino a Portugal, juntamente com o Depósito Disciplinar 1, em 5 de Julho de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, no dia 8 do mesmo mês e ano.

5 - José Maria Alves Pereira, Soldado do Batalhão de Sapadores de Caminhos de Ferro, 2ª Companhia. Nasceu às sete horas da tarde do dia 8 de Março de 1894 no lugar do Regueiro, na freguesia de S. Paio, filho de Francisco José Alves Pereira e de Maria do Livramento Gomes, lavradores.
À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no dito lugar do Regueiro, desta freguesia de S. Paio, concelho de Melgaço. Embarcou para França em 26 de Maio de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 72 482.
Sabemos muito pouco do seu percurso durante a guerra. Já em França, no cenário de guerra, foi integrado na S.E.M.M. em 1 de Setembro de 1917. Sabemos que foi punido em 7 de Agosto de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 2 dias de detenção porque estando naquela data na formatura da limpeza do gado, saiu da mesma formatura sem autorização do sargento que assistia…”.
Após o término da guerra, embarcou no Porto de Cherbourg (França), com destino a Portugal, juntamente com o Batalhão de Sapadores dos Caminhos de Ferro, em 27 de Abril de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, no dia 1 de Maio seguinte.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

A Ponte Internacional Melgaço/Arbo: um sonho realizado muitas décadas depois




A Ponte Internacional que liga Melgaço ao municipio galego de Arbo foi inaugurada em 1998 pelo presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Rui Solheiro, e pelo Presidente da Xunta de Galícia, Manuel Fraga Iribarne. Era um desejo muito antigo, com várias décadas, dos municípios de Melgaço e dos concelhos galegos da outra margem pelas óbvias vantagens em termos de acessibilidades para os dois lados da fronteira. Essa enorme vontade de concretizar a dita ponte fica demonstrada numa notícia num jornal galego 35 anos antes da sua inauguração. De facto, no periódico galego “La Noche”, na sua edição de 29 de Maio de 1963, podemos ler uma notícia que nos fala desse projeto. Todavia, demorou mais de três décadas para se concretizar…
Na notícia, pode ler-se:

“Se proyecta construir un puente internacional en Arbo

PEUNTEAREAS. - Por la prensa primero y por boca del Alcalde de Arbo, despúes, sabemos que se han hecho gestiones com las autoridades portuguesa, para la construcción de un puente internacional que una a Melgazo com Arbo.
Hemos visto el lugar donde se pretende construir el puente y lo consideramos el mas indicado a lo largo de la frontera, por la estrechez de la garganta del rio, por las condiciones naturales del terreno y, sobre todo, por la proximidad de las carreteras que mueren a la orilla del Miño, una en lado español y outra e.. el lado portugués.
Si se llegara a realizar la construcción del puente internacional en Arbo, nuestra comarca - los municipios de La Cañiza, Creciente, Covelo, Mondariz, Mondariz Balneareo, Las Nieves y Puenteareas - serian grendemente beneficiados, pues ello evitaria un largo desplazamiento a Tuy para el pase de la frontera y originaria una corriente turística del Norte de Portugal a nuestra tierra.
Pero, de todos los municipios ntes citados, el nuestro y el de La Cañiza serian los más beneficiados ya que la gran corriente turística que, a través del puente internacional de Arbo, viniera a España, forzosamente tendria que pasar por una de las localidades, ya que dirijan al Norte o al Sur en la Ruta Vigo-Madrid. Nuestro buen amigo, al dinámico alcalde de Arbo, está dispuesto a trabajar sin desmayo hasta conseguir el puente internacional: y sabemos que para el próximo mês de junio tiene anunciada la visita, a la vecina localidad de Melgazo, el Ministro de las Obras Públicas de Portugal; y se espera que para Agosto se consiga que venga el español com el fin de estudiar, sobre el terreno, las possibilidades de la construcción del puente.
Pero no debe estar sólo el Alcalde de Arbo en esta hora de la hucha por el puente internacional. Deben secundar su gestión todos los Ayuntamientos de los municipios que antes citamos; es más, creemos que las gestiones que hayan de realizarse en los organismos oficiales de la capital de España, deben efectuarse conjuntamente por los siete Ayuntamientos y desplazarse a Madrid y a Lisboa una comisión integrada por los siete alcaldes, para interesar de los señores Ministros de Obras Públicas una pronta intervención y un rápido estudio de las posibilidades de la construcción del puente internacional de Arbo, llevando también un amplio estudio de los enormes beneficios que reportaria la construcción de dicho puente a tan extensa comarca."

(Clique para ampliar)


Fonte: Jornal "La Noche", edição de 23 de Maio de 1963.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia de Paderne



No artigo de hoje, o blogue presta homenagem aos valentes soldados naturais de Paderne, deste concelho de Melgaço, que combateram nas trincheiras de França na 1ª Grande Guerra. Dos mais de 70 homens que partiram de Melgaço para a guerra em 1917, 14 eram naturais desta freguesia de Paderne. Destes homens, 3 deles faleceram na guerra (António Alberto Dias, do lugar da Verdelha; Raul Gomes, do lugar de Queirão e José Afonso, do lugar de Fontes). 
Um outro soldado, António José Rodrigues, foi feito prisioneiro de guerra durante a Batalha de La Lys a 9 de Abril de 1918. Durante meses, nada se soube dele permanecendo como um dos milhares de soldados portugueses que tinham desaparecido durante os combates. Apenas em Novembro de 1918, se soube que estava num campo de prisioneiros na Alemanha, tendo sido libertado após o fim da guerra...
Estes foram os padernenses que combateram na 1º Grande Guerra. Honra a estes heróis!

Eles foram:
1 - António Alberto Dias, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às sete horas da tarde do dia 11 de Janeiro de 1892, no lugar da Verdelha, freguesia de São Salvador de Paderne, filho de José Bernardino Dias e de Maria do Carmo Alves. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Áurea Rebelo desde 7 de Setembro de 1914 e era morador na freguesia de São Paio, concelho de Melgaço. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à 4.ª Brigada de Infantaria (Brigada do Minho).
Já em França, em cenário de guerra, foi punido no dia 16 de Setembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 10 dias de detenção por não apresentar a bolacha de ração de reserva que lhe havia sido distribuída com a recomendação expressa de não a comer sem autorização, recomendação esta que lhe foi feita por um oficial antes da marcha para as trincheiras da 2ª Brigada de Infantaria e na ocasião da distribuição”.
Faleceu na primeira linha de trincheiras em resultado de ferimentos em combate em 9 de Outubro de 1917. Os seus restos mortais foram sepultados no Cemitério de Le Tourette, coval nº 78. Posteriormente, foram trasladados para o Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué, Talhão D, Fila 13, Coval 25.


Sepultura de António Alberto Dias
no Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué (França)

2 - Raul Gomes, soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às onze horas da noite do dia 27 de Agosto de 1894 no lugar de Queirão, freguesia de São Salvador de Paderne, filho de Manuel Joaquim Gomes e de Luciana Rosa Rodrigues. À data da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro era morador na freguesia de Paderne.
Embarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, com destino a França, integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Já em França, em cenário de guerra, foi promovido a 2º Cabo em 27 de Agosto desse ano de 1917. A sua permanência no teatro de operações foi curta. Em 9 de Outubro desse mesmo ano, foi ferido em combate tendo baixado à ambulância nº 3. Faleceu nesse mesmo dia, vítima desses ferimentos, sendo o seu corpo sepultado no cemitério de Vielle Chapelle, coval C13. Posteriormente, os seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué, Talhão A, Fila 13, Coval 3.


Sepultura de Raul Gomes
no Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué

3 - Manuel António Gonçalves, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às duas horas da tarde do dia 30 de Março de 1892 no lugar de Crastos, freguesia de São Salvador de Paderne, filho de António Joaquim Gonçalves, sapateiro (natural da freguesia de Salamonde, concelho de Vieira do Minho) e de Angelina Augusta Meixeiro (natural de Paderne). Era neto paterno de Umbelina Rosa Gonçalves, solteira, e materno de João Maria Meixeiro e Emília da Graça Puga.  À época da partida para a guerra, encontrava-se solteiro e morava no lugar de Crastos, freguesia de Paderne. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917.  Já em França, por ordem superior da 4ª Brigada de Infantaria, foi integrado no Quartel General da Base -  Depósito de Materiais de Bagagens, em 6 de Novembro de 1917. Foi punido em 6 de Fevereiro de 1918 “pelo Chefe da Secção de Fardamento com 8 dias de detenção por não responder à chamada para o trabalho na oficina de sapateiro ontem pelas 14 horas”. Foi novamente punido no dia 14 de Fevereiro de 1918 “pelo Snr. Chefe da Secção com 8 (oito) dias de detenção por não dedicar na Oficina de Sapateiro toda a sua aptidão…”. Em 19 de Fevereiro de 1918, ainda se encontrava na secção de fardamentos. Em 11 de Dezembro de 1918, seguiu para as Escolas do Corpo Expedicionário Português “afim de ali prestar serviço da sua especialidade”.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) em 16 de Maio de 1919, juntamente com o Quartel General 2 com destino a Portugal. Desembarcou em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 19 de Maio. Após a guerra, casou, em 19 de Janeiro de 1921, com Rosa Joaquina Durães, natural de S. Paio. Viria a falecer em 19 de Fevereiro de 1975, na freguesia de S. Paio (Melgaço).

4 - José Cerqueira Afonso, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às cinco horas da manhã dia 14 de Março de 1892 no lugar de Fontes, lugar da freguesia de São Salvador de Paderne, filho de Inácio José Afonso e de Maria Cerqueira, ambos lavradores e moradores no lugar antes citado. Era neto paterno de Maria Joaquina Afonso, solteira, e neto materno de Manuel Joaquim Cerqueira e Maria Rosa Afonso. À época da sua partida para a guerra, era casado com Capitolina Afonso e era morador em Paderne. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 22 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Foi punido no dia 16 de Setembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 10 dias de detenção por não apresentar a bolacha da ração de reserva que lhe havia sido distribuída com a recomendação expressa de a não comer sem autorização, recomendação esta que lhe foi feita por um oficial antes da marcha para as trincheiras da 2ª Brigada de Infantaria e na ocasião da sua distribuição”. Foi novamente punido no dia 17 de Setembro de 1917 pelo Comandante da Companhia “com 6 dias de detenção por ter faltado à 3ª refeição de 16 (dia anterior) sem motivo justificado, apresentando-se meia hora depois”. Combateu na Batalha de La Lys em 9 de Abril de 1918. Inicialmente, foi dado como desaparecido em combate na dita batalha mas posteriormente verificou-se que tinha falecido. Provavelmente, o seu corpo apareceu só mais tarde. Os seus restos mortais encontram-se sepultados em França, no Cemitério de Richebourg l`Avoué, Talhão C, Fila 10, Coval 10.


Sepultura de José Cerqueira Afonso
no Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué


5 - Manuel Ferreira, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 24 de Maio de 1893 no lugar de Queirão, freguesia de São Salvador de Paderne, filho de pai incógnito e de Rosa Ferreira. Era neto materno de António Manuel Ferreira e Marcelina Pires. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no lugar de Queirão, na dita freguesia de Paderne.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 16 de Maio de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Do seu percurso militar na guerra, não se conhece praticamente nada. O seu Boletim Individual encontra-se praticamente “em branco”. Apenas se sabe que sobreviveu à guerra e desembarcou em Lisboa em 9 de Junho de 1919.
Viria a falecer em 24 de Janeiro de 1968 na cidade de Lisboa.

6 - António José Rodrigues, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu em data desconhecida, filho de José Manuel Rodrigues e Carolina Rosa Rodrigues, natural da freguesia de Paderne. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro. Embarcou para França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 526. Sobreviveu à guerra. Combateu na Batalha de La Lys de onde foi dado como desaparecido em combate. No final da guerra, em Novembro de 1918 e por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, soube-se que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a dita batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Münster II (Alemanha). O soldado António José Rodrigues embarcou no navio inglês "Northwest Miller" em 31 de Janeiro de 1919 e desembarcou em Lisboa de 4 de Fevereiro de 1919.        

7 - António Xavier Nunes, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 29 (Braga), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro da manhã do dia 2 de Maio de 1897 no lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, filho de António Nunes, Guarda Fiscal, e Rosa Besteiro, lavradeira. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador no dito lugar a Várzea, freguesia de Paderne. Embarcou para França em 22 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 47 193, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. A sua estadia em cenário de guerra foi bastante curta e de apenas alguns meses. Em sessão de Junta Médica de 13 de Agosto de 1917, foi julgado incapaz de todo o serviço. Em face de tal decisão, foi repatriado tendo embarcado em Cherbourg (França)  a bordo do cruzador auxiliar “Pedro Nunes” em 9 de Novembro de 1917, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 12 de Novembro.
Viria a falecer no dia 16 de Janeiro de 1955, na freguesia de Miragaia, concelho do Porto.

8 - Manuel Rodrigues, 2º Sargento do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às dez da manhã do dia 10 de Setembro de 1896 no lugar da Longarinha, na freguesia de Paderne, filho de José Rodrigues e Custódio Esteves. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Maria Adelaide da Costa desde 11 de Setembro de 1911 e era morador em Valença do Minho. Embarcou para França em 15 de Março de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 019, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. Conhecemos muito pouco do seu percurso durante a guerra. Sabemos que esteve de licença durante 30 dias por ordem de serviço do Quartel General do Corpo Expedicionário de 10 de Julho de 1918 “findos os quais deve ser presente a nova junta médica”. Consta no seu Boletim Individual que foi “abatido ao efetivo do batalhão em 25 de Agosto de 1918”.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 4 de Fevereiro de 1919.

9 - Faustino Esteves, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro da manhã do dia 29 de Julho de 1893 no lugar da Portela, na freguesia de Paderne, filho de José Joaquim Esteves e Claudina de Castro Araújo, proprietários. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Rosa da Glória Fernandes desde 2 de Junho de 1913 e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 437, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. Conhecemos muito pouco do seu percurso durante a guerra. Foi colocado em 20 de Agosto de 1917 no 2º Grupo de Companhias de Pioneiros. Entretanto, em data desconhecida é promovido a 1º Cabo, posto que detinha em 4 de Setembro de 1917. Em Abril de 1918, ainda se encontrava na mencionada unidade, tendo combatido na Batalha de La Lys (9 de Abril) fazendo parte do referido 2º Grupo de Pioneiros.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 20 de Março de 1919.
Viria a falecer em 4 de Dezembro de 1957, na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço.

10 - Dinis da Silva, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às dez horas da noite do dia 16 de Março de 1892 no lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, filho de Ladislau Augusto da Silva e Maria de Jesus Besteiro, lavradores. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 468, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho. O seu percurso durante a guerra é abundante em atos de indisciplina, frequente entre os soldados portugueses nesta guerra e respetivas punições. Foi punido em 19 de Julho de 1917 “pelo Exmo. Comandante do Batalhão com 1 (um) dia de Prisão Disciplinar por ter faltado a uma formatura…”. Foi igualmente punido em 12 de Agosto “pelo Comandante da Companhia com 8 dias de detenção por ter saído da forma sem autorização quando a companhia se dirigia para local  de instrução de noite e ter recolhido ao quartel da sua companhia…”. Uma terceira punição foi-lhe aplicada em 26 de Outubro de 1917 “pelo Comandante da Companhia com 8 (oito) dias de detenção por ter sido incorreto na maneira como se dirigiu ao 1º sargento da companhia quando este o advertia por uma falta…”. Foi-lhe aplicada uma outra punição em 15 de Março de 1918 “pelo Comandante da Companhia com 10 dias de detenção porque, tendo-se ausentado ontem do alojamento da companhia, faltou à formatura que às 18 horas teve lugar afim desta companhia de entrar como reforço do sub-setor…”. Foi ainda punido em 29 de Agosto de 1918 “pelo Comandante do Batalhão com 10 dias de detenção por ter faltado aos trabalhos deste dia sem motivo justificado”. Por motivo que não aparece descortinado no seu Boletim Individual, o soldado Dinis da Silva, em 5 de Junho de 1919, seguiu da Prisão da sua Base para o Porto de Embarque de Cherbourg (França) afim de ali aguardar julgamento. Sabemos ainda que baixou à ambulância 3 em 8 de Junho de 1919, tendo tido alta no dia 15, seguindo para o Depósito Disciplinar 1.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, juntamente com os soldados do Depósito Disciplinar 1, em 5 de Julho de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 8 de Julho de 1919.
Após regressar da guerra, casou com Isménia Rosa Afonso no dia 24 de Maio de 1921. Viria a falecer em 29 de Julho de 1970, na freguesia de Paderne, neste concelho de Melgaço.

11 - Aldemiro Magno Gomes, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da tarde do dia 1 de Setembro de 1892 no lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, filho de Constantino José Gomes, guarda fiscal, e Maria de Sousa e Castro. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Berta Alves desde 29 de maio de 1916 e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 852, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho.
A sua permanência no cenário de guerra foi realtivamente curta. Foi colocado na 1ª Companhia em 18 de Outubro de 1917. Contudo, em sessão de junta médica de 22 de Julho de 1918, foi julgado incapaz de todo o serviço e salienta-se que o soldado não tem condições para “angariar meios de subsistência”.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 28 de Outubro de 1918.
Viria a falecer em 14 de Dezembro de 1969, na freguesia de Paderne, neste concelho de Melgaço.

12 - Bernardo Esteves, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às oito horas da noite do dia 11 de Março de 1895 no lugar da Golães, na freguesia de Paderne, filho de José Luís Esteves e Maria do Carmo Rodrigues, lavradores. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 22 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 846, onde pertenceu à célebre Brigada do Minho.
A sua permanência em cenário de guerra não foi muito longa. Ficou ferido num desastre ocorrido em serviço no dia 10 de Agosto de 1917, dia em que baixou ao Hospital de Sangue nº 1, sendo no mesmo dia evacuado para o Hospital Geral britânico nº 3. Recebe alta e volta à Base em 2 de Setembro do mesmo ano. Baixa ao hospital 32 em 1 de Outubro, sendo evacuado no mesmo dia para o Hospital 54. Baixa de novo à ambulância nº 3 em 9 de Janeiro de 1918, sendo evacuado para o Hospital de Sangue nº 1 no dia 10. Deu entrada nos hospitais da Base em 11 de Janeiro de 1918, sendo evacuado para o Depósito de Convalescentes.
Em sessão de junta médica de 4 de Fevereiro de 1918, reunida na ambulância 3, foi julgado incapaz de todo o serviço, tendo seguido para o Porto de Embarque de Cherbourg (França) em 11 de Março, onde embarca com destino a Portugal. Sobreviveu à guerra, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 18 de Março de 1918.

13 - José Maria Gomes, Soldado Servente do Regimento de Artilharia nº 5, 3º Grupo de Baterias de Artilharia (6ª Bateria). Nasceu às onze horas da noite do dia 24 de Outubro de 1892 no lugar do Cabo, na freguesia de Paderne, filho de António caetano Gomes e Maria do Rosário Esteves, lavradores. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 25 de Julho de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 70 854.
Sabemos muito pouco sobre o percurso deste soldado durante o conflito. Já no cenário de guerra em França, foi transferido para o 3º Grupo de Baterias de Artilharia em 23 de Agosto de 1917. Contudo, foi condecorado com a Medalha de Expedição a França em 27 de Fevereiro de 1919.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, juntamente com a 4ª Bateria do 3º Grupo de Baterias de Artilharia, em 28 de Março de 1919, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 31 de Março de 1919.
Após voltar da guerra, casou com Teresa de Jesus Alves em 8 de Abril de 1931. Viria a falecer em 13 de Maio de 1975, na freguesia de Paderne, neste concelho de Melgaço.

14 - Manuel de Jesus, Soldado do 1º Esquadrão de Cavalaria - Escola de Equitação. Nasceu em data desconhecida no lugar da Várzea, na freguesia de Paderne, filho de Manuel de Jesus, alfaiate, e de Claudina Rosa Souza, doméstica. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia de Paderne, concelho de Melgaço. Embarcou no Cais de Alcântara, Lisboa, com destino a França em 2 de Julho de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 67 361.
Sabemos pouco sobre o percurso deste soldado durante o conflito. Sabe-se que foi punido em 10 de Fevereiro de 1919 “pelo Sr. Comandante do 1º Esquadrão com cinco (5) dias de detenção porque estando de guarda à cavalariça e de quanto originou pela falta de vigilância que um cavalo se ferisse…”.
Em junta médica de 20 de Abril de 1918, o soldado Manuel de Jesus foi julgado incapaz de todo o serviço. Por essa razão, seguiu para o Porto de Embarque de Cherbourg (França) afim de ser repatriado em 6 de Agosto desse ano.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no Cais de Alcântara, em 25 de Agosto de 1918.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Melgacenses que combateram na Primeira Grande Guerra - Os Expedicionários da freguesia da Vila (Melgaço)


Há cerca de 100 anos, 72 melgacenses partiram para França para participarem no conflito mais horrendo que a História já tinha conhecido.
O blogue “Melgaço, entre o Minho e a Serra” homenageia nestes dias a coragem destes homens melgacenses que combateram numa guerra para a qual não estavam preparados. Desse contingente de soldados da nossa terra, 10 deles nasceram na freguesia de Santa Maria da Porta, atualmente designada de Vila. Entre os soldados desta freguesia, apenas António José Cardoso Ferreira Pinto da Cunha morreu na guerra, concretamente na célebre batalha de La Lys, a 9 de Abril de 1918, nunca se tendo encontrado os seus restos mortais. Outros dois soldados da vila de Melgaço foram feitos prisioneiros de guerra nessa batalha. Foram eles os combatentes Mário Afonso, nascido na Quinta de S. Julião, e António dos Reis, natural da Rua Direita, que estiveram em campos de prisioneiros na Alemanha até ao fim da guerra em Novembro de 1918.
Saibam quem foram os homens naturais desta vila de Melgaço que combateram nas trincheiras de França…

1 - António José Cardoso Ferreira Pinto da Cunha, segundo-sargento do Regimento de Obuses de Campanha, unidade sediada em Castelo Branco. Nasceu às 7 horas e meia do dia 28 de Julho de 1892, na Rua Direita, vila e freguesia Santa Maria da Porta, concelho de Melgaço, filho de António José Ferreira Pinto da Cunha, juiz desta comarca, e de Carlota Amália Cardoso. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na vila de Arcos de Valdevez. Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 20 de Agosto de 1917, onde pertenceu ao 6.º Grupo de Baterias de Metralhadoras (4ª Bateria). Combateu na Batalha de La Lys. Inicialmente dado como desaparecido em combate. Contudo, ao contrário de outros desaparecidos em combate melgacenses na batalha, o segundo sargento não constava entre os prisioneiros de guerra feitos pelos alemães. Mais tarde, foi dado como morto em combate na Batalha de La Lys a 9 de Abril de 1918. Desconhece-se o paradeiro dos seus restos mortais.

2 - Mário Afonso, soldado do Regimento de Artilharia nº 5 (2º Grupo de Baterias de Artilharia). Nasceu às duas horas e meia da manhã do dia 28 de Julho de 1891, filho de António Luiz Afonso e Tereza de Jesus, natural da Quinta de S. Julião, freguesia de Santa Maria da Porta, concelho de Melgaço. À época da sua partida para a guerra, era casado com Mariana Afonso desde 7 de Outubro de 1916 e residia na freguesia de Chaviães (Melgaço). Embarcou para França em 20 Agosto de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 28 641, tendo desembarcado no Porto de Brest em 25 de Agosto. Já em cenário de guerra, foi colocado no 2º Grupo de Baterias de Artilharia, 3ª Bateria, em 23 de Janeiro de 1918.  Combateu na célebre Batalha de La Lys (9 de Abril de 1918), onde foi dado como desaparecido em combate. Apenas em Novembro de 1918, por comunicação da Comissão de Prisioneiros de Guerra, se soube que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante a batalha e levado para o Campo de Prisioneiros de Dulmen, situado na região da Westefalia (Alemanha). Sobreviveu à guerra. Depois da guerra ter terminado, foi libertado. Posteriormente, o soldado Mário Afonso foi punido pelo Comandante do Corpo Expedicionário Portugal no dia 31 de Dezembro de 1918, com 10 dias de detenção disciplinar porque “em 3 de Janeiro do presente ano acendeu uma vela no balcão que ocupava em Blessy (localidade a cerca de 70 Km a oeste da cidade de Lille) a qual caindo sobre uma porção de palha que ali se encontrava, originando um incêndio que produziu estragos na importância de 7971,88 francos que o Estado teve que pagar…”.
O soldado Mário Afonso embarcou no navio inglês "Northwestern Miller" em 31 de Janeiro de 1919 e desembarcou em Lisboa de 4 de Fevereiro de 1919. Viria a falecer às 20 horas do dia 28 de Dezembro de 1963.

Cartão de inventariação do soldado Mario Afonso
(Campo de Prisioneiros de Hameln - Alemanha)


3 - António dos Reis, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Companhia do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às nove horas da manhã do dia 25 de Junho 1892, filho de João Batista Reis e Laureana Joaquina Esteves, natural da Rua Direita, freguesia de Santa Maria da Porta (atualmente designada por freguesia da vila). À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era residente na vila de Melgaço. Embarcou para França em 15 de Abril de 1917 integrado no Corpo Expedicionário Português, portador da chapa de identificação nº 49 563. Já no cenário de guerra, sabemos que baixou ao Hospital nº 51 em 17 de Maio de 1917, tendo alta no dia 13 de Junho. Foi punido em 19 de Agosto do mesmo ano pelo Comandante da Companhia com 8 dias de detenção “porque tendo em 18 do corrente respondido à chamada para a formatura da instrução de noite, se ausentou dela sem autorização recolhendo ao seu alojamento…”. Ainda nesse ano de 1917, voltou a infringir as regras do Regulamento Disciplinar e recebeu nova punição em 19 de Dezembro por parte do Comandante da Companhia. Desta vez, foi punido com 10 dias de detenção por “ter saído da 1ª linha de trincheiras, onde prestava serviço, sem autorização e ainda porque sendo interrogado sobre quem o autorizou a vir à 2ª linha, informou falsamente citando o nome ao Comandante exposto o que se averiguou ser falso…”.
O soldado António dos Reis combateu na Batalha de La Lys tendo sido dado como desaparecido em combate na batalha em 9 de Abril de 1918. Meses mais tarde, soube-se, através da Comissão dos Prisioneiros de Guerra, que tinha sido feito prisioneiro pelos alemães durante as hostilidades e levado para o Campo de Prisioneiros de Friedrichsfeld (Alemanha). Sabe-se que em 2 de Fevereiro de 1919, se encontrava integrado no Batalhão de Infantaria nº 12. Posteriormente, o soldado António dos Reis fez a viagem até ao Porto de Embarque em Cherbourg (França) onde embarcou no navio inglês "Orita" em 13 de Fevereiro e desembarcou em Lisboa de 16 de Fevereiro de 1919. Viria a falecer em 6 de Maio de 1958, na vila de Melgaço.

Cartão de inventariação do soldado Mario Afonso
(Campo de Prisioneiros de Hameln - Alemanha)
4 - Adriano do Paço, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às seis horas da tarde do dia 16 de Fevereiro do ano de 1894, filho de Lourenço do Paço e de Albina Cândida Moreira, na Rua de Mello, na vila de Melgaço. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na vila de Melgaço.
Embarcou para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho. Já em França, sabemos que foi colocado do Depósito de Material de Bagagens, na Base de Retaguarda, em 6 de Novembro de 1917 “afim de fazer serviço nas oficinas anexas à secção de fardamento”. Foi punido em 15 de Abril de 1918 pelo Diretor  do Depósito de Fardamentos e Bagagens, "com 6 dias de detenção por ter faltado à formatura do recolher do dia 14, apresentando-se às 6 horas do dia seguinte…”. Baixou ao Hospital nº 30 em 29 de Abril de 1918, tendo alta em 4 de Maio. Foi punido em 21 de Junho desse ano pelo Diretor do Depósito de Fardamento “com 6 dias de detenção tendo em atenção o seu comportamento anterior porque estando nomeado para serviço  de ronda no dia 17 do corrente, apresentando-se 10 minutos mais tarde depois da hora determinada…”. Posteriormente, baixou ao Hospital Inglês de Calais em 19 de Janeiro de 1919, tendo alta no dia 25. Sobreviveu à guerra, tendo embarcado com destino a Portugal em 9 de Agosto de 1919.  Desembarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, em 12 de Agosto de 1919.

5 - Agostinho de Araújo, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às seis horas da manhã do dia 23 de Março de 1892 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), filho de José Joaquim de Araújo e de Anna Joaquina Domingues. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na freguesia da Vila. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho. São muito escassos os dados sobre o percurso deste soldado durante a guerra. Sabe-se que foi promovido ao posto de 1º Cabo em 12 de Agosto de 1918. Sobreviveu à guerra e embarcou para Portugal no dia 15 de Abril de 1919 em Cherbourg, a bordo do navio inglês “Northwestern Miller”, tendo desembarcado em Lisboa em 19 de Abril. Após a guerra, viria a casar com Emília Rosa Bermudes em 18 de Janeiro de 1930. Faleceu no dia 11 de Setembro de 1954.

6 - João Gonçalves, Soldado do Batalhão de Infantaria nº 3 (Viana do Castelo), 4.ª Brigada do Corpo Expedicionário Português (2ª Divisão). Nasceu às quatro horas da manhã do dia 4 de Fevereiro de 1894 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), na rua Direita, filho de pai incógnito e de Rosa Gonçalves. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na rua Direita, na vila de Melgaço. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 15 de Abril de 1917, onde pertenceu à Brigada do Minho.
Já em França, foi colocado no Quartel General da Base - Depósito de Materiais da Base em 6 de Novembro de 1917, ficando a prestar serviço na Secção de Fardamento.
Foi punido em 25 de Maio de 1918 pelo Diretor do Depósito de Fardamentos da Base “com 2 dias de detenção  tendo que atendendo ao seu bom comportamento anterior, porque estando nomeado para serviço de ronda no dia 17 do corrente, apresentou-se 10 minutos mais tarde depois da hora que lhe havia determinada…”. Foi novamente punido em 15 de Abril de 1918 pelo Diretor do Depósito e Oficinas de Fardamentos da Base “com 6 dias de detenção por ter faltado à formatura do recolher do dia 14 do corrente apresentando-se às 6 horas do dia 15…”.
Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal no dia 6 de Maio de 1919, a bordo do navio português “Gil Eanes”, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 10 de Maio. Após a guerra, viria a casar com Isolina Augusta Gonçalves em 11 de Novembro de 1940. Faleceu às 12 horas e 50 minutos do dia 19 de Dezembro de 1940.

7 - José Maria Pereira, Soldado do Regimento de Obuses de Campanha - 4ª Bateria, unidade sediada em Castelo Branco. Nasceu às oito horas da manhã do dia 7 de Maio de 1892 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), na rua Direita, filho de Alfredo Fernandes Pereira e de Ludovina Rosa Gonçalves. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na rua Direita, na vila de Melgaço. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 17 de Agosto de 1917.
Já em França, foi promovido a 1º Cabo em 1 de Setembro de 1917. Viria a ser punido no dia 26 de Novembro de 1917 “pelo Comandante da Bateria com 4 dias de detenção por não cumprir uma determinação  de serviço ordenada pelo seu Comandante de bateria”.
Posteriormente, em 8 de Fevereiro de 1918, baixa à ambulância nº 3, sendo evacuado para o Hospital de Sangue no dia seguinte (dia 9). De seguida, volta a ser evacuado, desta vez para o Hospital Canadiano 3 no dia 11 desse mês de Fevereiro. Em 29 de Março de 1918, foi evacuado para o Hospital da Base nº 1.
Em 22 de Abril de 1918, foi julgado incapaz para todo o serviço e foi repatriado. Sobreviveu à guerra e embarcou em Cherbourg (França) com destino a Portugal no dia 14 de Maio de 1918, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 17 de Maio.

8 - Mário Teixeira Pinto, Soldado do Regimento de Obuses de Campanha - 5ª Bateria, unidade sediada em Castelo Branco. Nasceu às onze horas da noite do dia 5 de Abril de 1893 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), na rua da Misericórdia, filho de Arthur Napoleão de Mattos Teixeira Pinto, telegrafista, e de Claudina Roza da Silva. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado desde 1 de Janeiro de 1916 com Emília Delfina de Araújo e era morador na vila de Melgaço. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 20 de Agosto de 1917.
Já em França, foi colocado no 6º Grupo de Baterias de Artilharias em 21 de Dezembro de 1917 por ordem do Comando da 2ª Divisão do C.E.P.
Em 10 de Junho de 1918, foi “condenado pelo Tribunal de Guerra do Corpo, na penas de seis meses de Presídio Militar, ou em alternativa, na pena de seis meses de incorporação no Depósito Disciplinar e, em qualquer dos casos, na pena de baixa de Posto. Ordem do Corpo Expedicionário Português nº 158, 22/6/1918”. Em consequência da decisão do Tribunal Militar, segue marcha escoltado até Cherbourg onde dá entrada no dia 28 de Junho de 1918, no Depósito de Adidos do Corpo Expedicionário. Em 2 de Julho de 1918, dá entrada na prisão do acampamento. Em 8 de Julho desse ano, segue marcha até ao Porto de Embarque de Cherbourg, de onde sai a bordo do navio “Pedro Nunes” no dia 16 de Julho de 1918, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 19 de Julho.
Viria a falecer em Luanda (Angola) no dia 14 de Julho de 1971.

9 - António de Melo, Soldado do 3º Grupo Automóvel - Comboio Automóvel. Nasceu às nove horas da noite do dia 31 de Dezembro de 1894 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), na rua Direita, filho de pai incógnito e de Júlia da Glória de Melo. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se solteiro e era morador na vila de Melgaço. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, para França integrado no Corpo Expedicionário Português a 26 de Setembro de 1917, tendo chegado ao Porto de Brest no dia 30 do mesmo mês.
Já em França, sabe-se que foi colocado no Serviço de Transporte Automóvel em 1 de Abril de 1918 onde ficou com o nº 961. Foi punido em 21 de Abril de 1918 pelo Comandante do Parque Automóvel “com 2 guardas por ter faltado à 1ª refeição”. Foi novamente punido em 28 de Abril do mesmo ano pelo Comandante do Parque Automóvel com 2 dias de detenção por ter saído do estacionamento sem licença”. Foi novamente punido e 5 de Maio de 1918 pelo Comandante do Parque Automóvel “com 4 dias de detenção por ter faltado à 1ª refeição sem motivo justificado”.
Foi condecorado com a Medalha Comemorativa da Expedição a França segundo consta Ordem de Serviço nº 49 da Secção Automóvel do Quartel General do Corpo Expedicionário de 22 de Fevereiro de 1919.
Em 10 de Junho de 1919, abandona a Secção Automóvel afim de seguir para Cherbourg para o Porto de Embarque com vista a ser repatriado. Embarca com a Secção de Adidos em 5 de Julho no navio inglês “Northwest Miller”, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 19 de Julho desse ano de 1919.
Viria a falecer em 31 de Agosto de 1944, na vila de Melgaço.

10 - Secundino Augusto Calheiros, Soldado da 2ª Companhia do Batalhão de Sapadores dos Caminhos de Ferro. Nasceu às oito horas da noite do dia 13 de Dezembro de 1892 na freguesia da vila de Melgaço (à época, Santa Maria da Porta), filho de pai incógnito e de Silvana Inocência Calheiros. À época da sua partida para a guerra, encontrava-se casado com Maria Emília Ferreira desde 5 de Dezembro de 1916 era solteiro e era morador em Vila Praia de Âncora, Caminha. Embarcou em Lisboa, no cais de Alcântara, com destino a França integrado no Corpo Expedicionário Português a 26 de Maio de 1917, em direção ao Porto de Brest.
Já em França, sabe-se que baixou ao Hospital da Base 1 no dia 9 de Abril de 1918, dia da batalha de La Lys. No mesmo Hospital, foi julgado incapaz para todo o serviço por Junta Médica. Teve alta no dia 2 de Maio. Posteriormente, embarca no Porto de Embarque em Cherbourg com destino a Portugal, tendo desembarcado em Lisboa, no cais de Alcântara, em 17 de Maio de 1918.
Viria a falecer em 28 de Maio de 1973 em Vila Praia de Âncora (Caminha).