sábado, 12 de agosto de 2017

A densa rede de Postos da Guarda Fiscal em Melgaço em fotos



Melgaço é um dos concelhos portugueses com maior proporção de linha de fronteira: três quintos do território confinam com a Galiza, num percurso que se estende por 61 Km’s: 22 Km’s de fronteira terrestre e 39 de fronteira (incluindo os 19 Km’s correspondentes ao rio Minho). O traçado e a extensão da linha de fronteira, associados à intensidade e à diversidade do contrabando e da emigração clandestina, justificam que Melgaço tivesse a maior secção da Guarda Fiscal de todo o Vale do Minho. Em 1961, serviam, neste concelho, 2 sargentos, 16 cabos e 74 soldados distribuídos por 17 postos. (GONÇALVES, A., 2004). Nenhum outro concelho da região tinha a sua fronteira tão vigiada.
Os Postos da Guarda Fiscal estavam repartidos pelas várias freguesias com linha de fronteira: na freguesia de Castro Laboreiro (Ribeiro de Cima, Ribeiro de Baixo, Portelinha, Vila e Ameijoeira); na freguesia de Cristoval (Ponte Velha, Cevide e S. Gregório); na freguesia de Santa Maria da Porta, Vila (Posto da secção de Melgaço); na freguesia de Fiães (Pousafoles); na freguesia de Lamas de Mouro (Alcobaça); na freguesia de Paços (Porto Paços); na freguesia de Penso (Paranhão); na freguesia de Alvaredo (S. Martinho); na freguesia de Alvaredo (S. Martinho); na freguesia de Fiães (Portocarreiro); na freguesia de Remoães (Mourentão); na freguesia de Prado (Prado). Esta densa rede de postos procuraram durante décadas controlar o contrabando e as  migrações ilegais na raia. 
Apresentamos um conjunto de fotografias dos vários antigos Postos da Guarda Fiscal no nosso concelho. As fotos têm, na sua maioria, cerca de 25/30 anos. Um importante património que não deve ser esquecido. Faz parte da História da nossa terra...

Posto da Guarda Fiscal de Ameijoeira (Castro Laboreiro - Melgaço)
Posto da Guarda Fiscal de Portelinha (Castro Laboreiro - Melgaço)

Posto da Guarda Fiscal de Castro Castro Laboreiro (Melgaço)

Posto da Guarda Fiscal de Alcobaça (Lamas de Mouro - Melgaço)


Posto da Guarda Fiscal de Portocarreiro (Fiães - Melgaço)



Caseta da Guarda Fiscal de S. Gregório (Cristoval - Melgaço)


Posto da Guarda Fiscal de S. Gregório - Ponte Velha (Cristoval - Melgaço)


Posto da Guarda Fiscal de Cevide (Cristóval - Melgaço)
Posto da Guarda Fiscal de S. Gregório (Cristoval - Melgaço)
Posto da Guarda Fiscal de Porto Paços (Paços - Melgaço)

Posto da Secção da Guarda Fiscal de Melgaço (Vila)

Posto da Guarda Fiscal do Peso (Paderne - Melgaço)
Posto da Guarda Fiscal de S. Martinho (Alvaredo - Melgaço)

Posto da Guarda Fiscal de Paranhão (Penso - Melgaço)

Informações extraídas de: GONÇALVES, Albertino (ano desconhecido) - Caminhos de inquietude: A organização do contrabando no concelho de Melgaço. O Miño, uma corrente de memória.
Fotos (fonte): http://guardafiscal.org 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Sobre as visitas dos réis a Castro Laboreiro (Melgaço)


Vários réis terão visitado as terras castrejas. Sabemos, com clareza, que D. Afonso Henriques terá estado em Castro Laboreiro e ele próprio terá liderado a tomada do castelo em 1141. Por outro lado, é provável, ainda ainda que não certo, que o rei D. Sancho I, também tenha estado em terras castrejas. 
Ambos os monarcas atribuíram forais a Castro Laboreiro. Um dos aspetos citados nas ditas cartas refere-se àquilo que o povo castrejo tinha que entregar ao rei quando este fosse visitar estas terras. No foral afonsino, pode ler-se “et dedit tale forum quando Rex Villam et Castillum istum venerit pertectis ei 6 solidos, vel 12 galinas et 12 frangos pro servicio”Desta forma, segundo este extrato, quando o rei se deslocasse a Castro Laboreiro, os castrejos deviam conceder-lhe 6 soldos, ou 12 galinhas e 12 frangos. Os galináceos serviriam para rechear a mesa da corte régia, podendo também servir de alimento às suas aves de cetraria. Mas todo este tributo foi alterado na carta do rei D. Sancho I, o Povoador, que suprimiu a componente monetária e substituiu a carne por dois pães por cada casa e uma taleiga de cevada “quando ElRey for in vila de Leboreiro dant a el de cada casa ij. ij. panes et senas teeigas de cevada”.
Segundo DOMINGUES, J. (2013), à primeira impressão seria uma condescendência do monarca. Contudo, parece-lhe ser antes um consenso, “onde ambas as partes são beneficiadas: para os moradores, um tributo menos gravoso; para o monarca, uma garantia do sustento dos homens e animais da corte. A carne para a comitiva seria facilmente conseguida na feracidade venatória dos montes Laboreiro”.

A este respeito, Iria Gonçalves escreve que “Em Castro Laboreiro mantinha-se o costume, para cada vizinho, de trazer ao monarca, quando ele aí estivesse, dois pães e uma teiga de cevada. Aportação de mantimentos medíocre, poder-se-á pensar, independentemente, até, de saber que valor total essa obrigação representaria, subordinada, como estava, ao número de famílias aí moradoras. Que, aliás, nem sequer deviam ser muitas, por aquelas inóspitas paragens. Mas, se em termos económicos o valor dessa contribuição seria ridículo – o que, para mais, acontecia com muitas outras – em termos práticos era realmente significativo. Localizada em plena serra da Peneda, longe de todo outro povoamento e de bens fundiários régios, em Castro Laboreiro o soberano não detinha rendas em géneros e os habitantes, montanheses de fracos recursos, pouco poderiam oferecer de atrativo à mesa real. Mas se o monarca fizesse uma deslocação a Castro Laboreiro, só poderia ser para uma boa montaria à numerosa caça grossa que habitava aqueles cimos. Pão, a comitiva régia poderia levá-lo consigo, mas não o encontraria, lá pelas agruras serranas; comida para os cavalos, também não. Mas carne, essa existiria em abundância após a caçada. E da mais apetecida: de javali, de corço, de cervo. Carne que também chegaria para alimento dos indispensáveis e numerosos cães. Talvez os seus donos não considerassem essa a melhor refeição para os animais, mas haveria sempre de sobejar algum pedaço de pão para eles e o pão, esse sim, seria óptimo para o seu sustento.”


Informações extraídas de:
GONÇALVES, Iria (1993) -  “Alguns aspectos da visita régia ao entre Cávado e Minho, no século XIII”, in Estudos Medievais, n.º10, Porto.
José DOMINGUES, O Foral de D. Afonso Henriques a Castro Laboreiro. «Ádito» para o debate, Porto, 2003, [colocado em linha a 6 de Maio de 2013,
http://www.academia.edu/3470740/O_Foral_de_D._Afonso_Henriques_a_Castro_Laboreiro._Adito_para_o_debate ]

segunda-feira, 31 de julho de 2017

domingo, 30 de julho de 2017

Gala das 7 Maravilhas - RTP1 - Castro Laboreiro (Parte da Manhã) - 30/07/2017




Castro Laboreiro em início do século XX em postal da época


Este é postal circulado com a frente preenchida por uma fotografia tirada em Castro Laboreiro, algures no primeiro quarto do século passado.
No verso, encontramos o corpo da mensagem e reparamos que foi escrita em Sabrosa, por uma filha para o pai, que se encontrava em Vila Nova de Gaia. Tem data de 19 de Setembro de 1923.


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Branda da Aveleira e Castro Laboreiro - Pré-finalistas às 7 Maravilhas de Portugal


A Branda da Aveleira e Castro Laboreiro (Melgaço) são pré-finalistas às 7 Maravilhas de Portugal na categoria de Aldeias Remotas. A votação decorrerá na Gala de 30 de Julho de 2017 emitida em direto da Branda da Aveleira e de Castro Laboreiro  (Melgaço) na RTP1. 
VOTE NAS ALDEIAS DE MELGAÇO! 

Gala Especial de 30 de Julho

PROGRAMA DE DIA
(com transmissão em direto na RTP 1)
Local: Castro Laboreiro
Horário: 11h30-13h00 e 18h30-20h00
GALA ESPECIAL: Branda da Aveleira
Gala com transmissão em direto na RTP 1 e RTP Internacional
Horário: 21h – 23h

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O "Nelo de Cevide", de Cristóval, e o bando das notas falsas (1931)

Cevide (Melgaço)
(Foto de Carlos Almeida) 

No início da década de trinta do século passado, o mundo vivia uma das mais graves crises económicas da História. Em Portugal, a situação é particularmente grave devido à sua crónica crise da sua débil economia que já se arrastava desde meados do século XIX. Em Melgaço, o panorama não fugia à regra e o sustento das suas gentes era assegurado por aquilo que a terra dava. Contudo, em concelhos de fronteira como este, o contrabando, a emigração ilegal, entre outras atividades ilícitas complementavam o rendimento das famílias.
Em Março de 1931, os jornais falam-nos de uma rede organizada que atuava em Melgaço e noutros concelhos da região. O grupo auxiliava emigração ilegal, praticava contrabando e falsificava moeda estrangeira.
De facto, na imprensa falava-se que já havia muito tempo que na região se vinham notando manobras suspeitas de um grupo de indivíduos, que se dedicavam a negócios pouco claros, entre os quais se destacavam a sua atividade na emigração clandestina. Havia um homem, que tinha sido preso havia muito pouco tempo chamado António, morador na localidade galega de Orden, a quem se conhecia pela alcunha de “Doctor Judice”, do qual se falava como sendo um falsificador, que fazia parte deste grupo.
Outro dos que pertencia a este bando era um sujeito chamado António, morador na localidade galega de Mañufe, que esteve envolvido na falsificação de papel timbrado e selos brancos do Consulado dos Estados Unidos da América, na cidade do Porto.
Também pertenciam a esse grupo outro dois moradores em Pias, no concelho de Monção, além de um homem chamado Manuel Guerreiro, conhecido como o Nelo de Cevide, residente no citado lugar da freguesia de Cristoval, concelho de Melgaço. Além deste, e para fechar o grupo, falta referir um sujeito conhecido como o Brito, morador em Friestas e outros não citados nas ditas notícias.
Falava-se que estes sujeitos levantavam muitas suspeitas já que costumavam aparecer na feira de Monção, gastando dinheiro em grande quantidade, oferendo almoços e copos aos amigos que encontrassem, sem olhar a despesas.
Na época, dizia-se que o auxílio à emigração clandestina já não dava grande lucro a estas redes. Por isso, este grupo lançou-se na atividade de falsificação de moeda. O tal Brito de Friestas terá sido responsável por pôr a circular em Valença notas de cem mil réis brasileiros em Valença. Esta operações eram praticadas em coordenação com o resto do grupo, realizando várias viagens a Vigo e chegando a levantar suspeitas às autoridades. As forças policiais portuguesas e espanholas já estariam muito atentas às movimentações do grupo com vista a desmantelá-lo. Isso é confirmado pela busca que tinha sido feita, pela Guarda Nacional Republicana, no lugar de Cevide (Cristóval - Melgaço) à casa de Manuel Guerreiro, o Nelo de Cevide, com ordens para o prender. Contudo, nesse dia o Nelo tinha ido à feira à vila dos Arcos de Valdevez. Todavia, alguém conseguiu avisar o Nelo de Cevide do sucedido já que o mesmo não regressou a casa e andou escondido durante uns dias, temendo pela sua preciosa liberdade. Parece que não terão encontrado nem sinal do dinheiro falso em sua casa em Cevide e então as autoridades viraram as sua atenções para Paredes de Coura, onde o sujeito espanhol conhecido como o “Doutor Judice” tinha uma casa, pertinho do rio.
Contudo, no dia 16 de Março de 1931, o Manuel Guerreiro, o Nelo de Cevide, entrega-se às autoridades em Melgaço e terá confessado os crimes de tráfico de notas falsas e terá implicado os outros membros do bando. Havia também rumores que um sujeito conhecido como o Manolo de Pias (Monção) estaria em vias de se entregar às autoridades espanholas.

A rede seria totalmente desmantelada pouco tempo depois.

Informações extraídas de: 
- Jornal "El Pueblo Gallego", edição de 17 de Março de 1931.

Página com a notícia citada (clique para ampliar)